segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

'Da Xepa ao Banquete Final'

Viviani Leite e este coletivo de artistas da qual ela faz parte há anos. Chegou a um espetáculo maduro, reflexivo. Que como muitos levarei dias ruminando. Um texto, poemas e até canções surge da experiência de um espetáculo como este. Que precisa chegar ás escolas, pois traz inúmeras novidades. Assisti hoje num lugar mágico a praça Afonso Pena no mesmo local de inúmeros fazeres culturais e artísticos em nossa cidade.
É um espetáculo, sarau e tudo mais que couber ou não nas palavras. “ Da Xepa ao Banquete Final “ esta ali um coletivo de artistas e realizadores que acompanho há bastante tempo.
Excelentes performances dos artistas e um personagem instigante vivido pelo ator musico Sergio Ponti um morador de rua. Ou o excluído da sociedade. Numa representação não debochada, mas afundo do morador de rua. Com ótimas pitadas de humor e reflexão. O riso se faz de dor e revolta na plateia que acompanhava o trabalho. Enquanto Viviane Leite preparava nosso almoço. As pessoas ali felizes fora da realidade da vida e nem por isto desligada das reflexões do espetáculo sobre a contaminação dos alimentos em nossos dias. Quando deixamos atividades artísticas como esta se faz duro voltar á realidade. Experiência que temos ao ler um livro, ouvir uma canção e mesmo escrever. Gostaria de fazer um ensaio mais poético. Por falar em poesia as mímicas de Fernando Selmer vivendo um caricato homem bem sucedido de nossa sociedade de mercado. As ruas são o palco e o lugar certo para espetáculos como este. Mas este êxtase, catarse e Dionisíacos , Baco se faz o tempo todo ali Deuses bem VIVOS nas artes. Senti-me finalmente em 2018 e bem vivo enquanto publico. Mesma emoção que alguém pode ter vivido ao assistir uma peça de Shakespeare. Ou que participou de um ritual Dionisíaco. Cantemos esta arte !
Léo Mandi impecável em suas canções na harmonia da banda Submarino Quântico vi ali presente na peça á mesma alegria de um Estival encontro que vimos nascer este coletivo. Um dos muitos de nossa “SANJA CITY “ que cidade estranha de um marasmo interiorano tão bem retratado na poesia
de Jorge Pessoto que não estava na peça. Mas se faz presente no retratar este Vale do Paraíba. E as curvas da Mantiqueira.
Artistas nos questionam né seu Marcus Groza em uma grandiosa performance. Muitos artistas ali que não sei os nomes. Mas sei que verei novamente em outros espetáculos. A vivencia ali sentida hoje não cabe neste texto ela tem sempre desdobramentos no refletir e agir. Aqui esta o site do grupo com mais detalhes que não cabem em meu escrever.
O roteiro deste espetáculo é de Marcus Groza. Direção artística de Marco Antonio Machado. A atuação dos apresentadores e performances Soraya Aguilera , Victor Bessa Luna é de uma enorme empatia com o publico. O violonista Flavio Meyer dá um tom harmônico. Enfim arte questionamento da realidade atual. Com o apoio do Município de São José dos Campos através da lei do fundo de cultura pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo. Quiça um dia o governo federal crie um fundo de cultura nacional. E por onde ando o Fórum de Cultura, arte da cidade ?
As ruas é o palco ideal das artes. Quiça um dia espetáculos como este aconteçam no calçadão da rua sete de Setembro e nas feiras da cidade.
Experimentação , arte e reflexão não esperaria menos deste coletivo que ao meu ver já esta maduro o suficiente para conquistar um espaço físico no final da Zona Sul da Cidade. Sem arte nossa vida é um marasmo sem sentido. Não me faço sacerdote , nem bardo. Mas apaixonado pela possibilidade de vida fora da caixa. Estamos vivos. E nesta noite Edu Gair se fazia presente em meus sonhos fazendo documentários onde vive !
Abraços a comunidade e sonhadores desta cidade sem palavras ?

Joka Faria 
João Carlos Faria

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Vanessa Alves

Há um tempo, por falta do que fazer, resolvi postar a minha opinião num site que adora propagar catarse midiática e sensacionalismo: o Catraca Livre. A "matéria" abordava a nova moda de mulheres que estão tirando as famosas "nudes selfies", só que agora, com o dedinho na frente para esconder o bico do mamilo.
Eu, como muitos acompanham por aqui, sou contra qualquer tipo de tabu, machismo, moralismo, misoginia e seus derivados, todos pertencentes aos acéfalos recalcados e que têm os impulsos reprimidos, sobretudo por crenças místicas e religiosas.
Meu comentário foi simples, ousado e direto: eu tiro sem dedo mesmo. Corpo não é tabu. Em pouco tempo surgiram vários comentários de mulheres me chamando de puta, vadia e por ai segue o universo da linguagem simplória e seus derivados - me espanta a falta de criatividade para ofender.
Porém, o que mais me chocou nisso tudo é ver, que, abaixo do meu comentário, havia um sujeito que tinha postado uma foto dos seus mamilos de "super homem" com o tal dedinho na frente. Não preciso escrever aqui que o tal sujeito não foi ofendido, pelo contrário, fora encorajado.
O corpo, meus caros amigos, é matéria indizível e deve ser cultuado. Corpo é arte. Corpo é manifestação daquilo que não foi dito, daquilo que ficou retido no inconsciente. Corpo goza, chora, recua, dança, vive, morre. Corpo é mamilo, vagina, bunda, boca, poros, língua, dentes, cabelos, bactérias, órgãos, sangue, suor, saliva; é matéria do que somos feitos.
Corpo faz parte da história da humanidade. E pasmem, vocês também têm um corpo.
E estar e ser um corpo, ter consciência dele é liberdade. A guerra contra ele é o início de muitas doenças.
Não há nada mais escandaloso do que um corpo que habita a fome. Não há nada mais escandaloso do que corpos gritante- e-tristonhos-e-doentes que compactuam com a corrupção neste País.
Na foto (se o FACEBOOK NÃO CENSURAR), para celebrar o corpo, compartilho o gênio da fotografia de moda e que explorou nossa matéria de forma belíssima, Hemult Newton.
Um beijo, no Corpo.

Quadro da Nua Estrela.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Joka
 
Útero

Tudo torna-se difícil em certos
momentos ..
No horizonte sem montanhas.
Porque deixamos as cavernas ?

João Carlos Faria

Anjos dançam em volta da fogueira !
Não são meras esculturas nos cemitérios.
 
Joka
 
 
Anjos abissais

Frio de outono !
Na janela do mundo, no refletir no
lago.
A vida passa entre o cotidiano.
E Honore de Balzac em suas caminhadas
pela cidade.
Tempo senhor inexistente no intervalo entre
nascer e morrer.
E não nos percebemos !

Joka

João Carlos Faria 
 
 
Joka 


Outono na avenida Bacabal
 
 
 Crianças brincam na tarde outonal,
A vida se faz breve , uma gata se diverte
no jardim de uma escola.
Crianças brincam na tarde outonal,
Quantas canções a cantar !
Atravessa-se a cidade.
Bacabal !
Crianças brincam na tarde outonal,
 
João Carlos Faria 


Joka

Desilusão diante do naufrágio humano

Silenciamos não devemos dizer
nada nesta noite sombria
 
Joka
 
 
Joka
 
Reescrita para sarais
 
Cancões na manhã azul
 
 
Nos concretos da cidade a poesia pichada em
postes, muros e de repente um disco voador nos
encanta ao cruzar o céu.
 
 
Manhã,
tarde … canções !
 
 
Azul,
céu enquanto o inverno
ainda não é calendário.
 

A vida é pôs eterna né, uai. 
 
 
Atlântico, oceano , Mantiqueira , serra !
Quero uma mochila nas costas, cartão de
débito, dinheiro no bolso e cruzar a América !
Quem sabe ouvindo Ezra Pound.
 
 
João Carlos Faria
 
 
 
Quasar koan !

Se deus sempre existiu.

Então só somos partículas de Deus.
Nos sempre existimos ?
Afinal existimos sempre ?

Joka
 
 
 
Boa noite Cinderela

Gatos, pardos ,
elefantes azuis.
Rato e gato.

Manhã doce ,
manhã
sábado !

Obvio que
não seja
obiviO

RegraS
inexistem,
resistem

Gatos, pardos,
Rato e gato.
EleFantes azuis.

A felicidade
esta dentro
por entre nós.

Joka

João Carlos Faria 
 
 
 

Sunday, August 17, 2014

Dylan Thomas, Não entre na noite pra se render
Tradução de Jorge Pontual

Não entre na noite pra se render,
Velhice é pra arder até o fim,
Lute, lute para a luz não morrer.

O sábio aceita bem o escurecer
Mas tem palavras de luz e por fim
Não entra na noite pra se render.

O justo, que ao partir irá sofrer
Porque não lhe coube um melhor jardim,
Luta, luta para a luz não morrer.

O rude que põe o sol pra correr,
E vê tarde demais o que é ruim,
Não entra na noite pra se render.

O sério, ao pé da morte, já sem ver,
Acesos os olhos, alegre enfim,
Luta, luta para a luz não morrer.

E você meu pai, triste de se ver,
Amaldiçoe, abençoe-me assim.
Não entre na noite pra se render,
Lute, lute para a luz não morrer.


http://nyontime.blogspot.com.br/