quinta-feira, 28 de junho de 2007

sexta-feira, 22 de junho de 2007

JOCA FARIA ENTREVISTA CARLOS ROSA...






22.06.2007 00h.01
Carlos Rosa

É um dos mais atuantes produtores culturais do nosso estado.

Ator e diretor trabalha com artes desde 1999, vem da ensolarada Caraguatatuba para a cidade dormitório. Produz intensamente com vários grupos com destaque para o grupo Cidade das Palavras, não poupou nada nesta bela entrevista dada a mim.


Quem é Carlos Rosa onde nasceu?

Carlos Rosa - Sou ator e diretor teatral. Também escrevo para teatro. Nasci em Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo. Me considero uma pessoa extrovertida e tento ver o meu dia-a-dia com humor, humor que levo para os meus trabalhos.

Quando surgiu o teatro em sua vida?

- O teatro surgiu em 1989, num curso livre no SESC São José dos Campos, monitorado pelo ator, diretor e músico Santos Chagas. Me lembro que encontrei um panfleto do curso na loja onde trabalhava. E não sei porque diabos resolvi fazer o curso. Digo sempre que comecei a fazer teatro porque gostava de cinema.

Ultimamente, tem dirigido e escrito peças de teatro? Qual objetivo?

- Dirigi recentemente o espetáculo "O Pedido de Casamento – Primeiro Tratamento". Baseado na obra de Anton Tchekhov. Estou escrevendo uma segunda versão desse espetáculo, o segundo tratamento. Onde adapto vários contos do mesmo autor, juntamente com o texto citado. Meu objetivo é investigar a comédia como entretenimento e crítica social. Acho que uma coisa não se separa da outra. Acho que o humor comenta as nossas mazelas as vezes de forma ácida, as vezes cruel e as vezes até carinhosamente, mas sempre zombando dos nossos defeitos. Rir dos nossos defeitos é uma qualidade.

Como foi a experiência de fazer vídeos ? Pretende voltar a fazer?

- Foi muito importante, aprendi muito. Acho que o meu teatro tem um olhar cinematográfico. Penso que mesmo quando não quero, esse olhar surge intuitivamente. Vejo minhas cenas em imagens.

Como é o teatro e a cultura no Vale do Paraíba?

- A nossa cultura popular é forte, secular. Por mais que a maltratem ela está aí. O teatro também tem sido maltratado por nossas instituições. A FCCR, por exemplo, menospreza o teatro da nossa cidade. Ela não sabe o que quer com ele. Os nosso grupos também tem muita culpa nisso, porque se concentram nas dificuldades em vez de buscar alternativas de produção. Reclamamos muito e produzimos pouco. Por outro lado temos exemplos excelentes de peças teatrais. Grupos que não ficaram apenas nos queixumes e conseguiram produzir peças premiadas.


Quais as peças que vem trabalhando no momento?

- Atuo no espetáculo Maria Peregrina, da Cia Teatro da Cidade e com direção de Cláudio Mendel. Também dirijo o espetáculo "A Noite das Mal Dormidas", de Nels Petersen, que reestréia em breve e o espetáculo, já citado, "O Pedido de Casamento Primeiro Tratamento".


Vê a possibilidade de criação de uma dramaturgia e um teatro com nossa identidade?
- Vejo sim, os espetáculos "Maria Peregrina", "Comecin das Coisas" são exemplo disso. Não que a nossa dramaturgia tenha que falar da nossa cultura mais tradicional. Ela também pode ser urbana, moderna. Acho que em breve teremos outras peças que falem de outros temas.


Que idéias tem para difundir o teatro na região?

- O teatro tem que ser independente da FCCR, do poder público. Tem que estar em vários lugares ao mesmo tempo. Temos, nós mesmo, que criar espaços pra isso. Os grupo tem que ser mais dedicados e mais sérios com seus trabalhos, pra termos mais qualidade. Só assim o público nos dará mais atenção. Mas não podemos ser dependentes da nossa vaidade, fazer o que a gente acha que o público vai gostar. As vezes é melhor dar um "tapa na cara" do espectador, no sentido figurado, claro.


O que é a Confraria da dança?

- É uma escola de Dança de Salão. Nela estamos ministrando aulas de teatro também, além de outros cursos como yoga e Consciência Corporal. É uma escola diferente, que eu acho que vale a pena ser conhecida.


Tem expectativa de trabalhar com a tv regional como anda vendo o Yotube?
– Não tenho experiência com a tv regional, mas gostaria. Acho o YouTube muito interessante. Me dá vontade de pegar uma câmera e fazer alguma coisa pra colocar lá. Acho que todo mundo que acessa sente a mesma vontade. E se isso é possível, então é fantástico!


Como inserir a linguagem digital no teatro contemporâneo?

- Não sei, mas hoje em dia temos muitos espetáculos multimídia. Isso é bacana também. O cuidado é não fazer duas linguagens onde deveria haver apenas uma. É fazer com que o vídeo e o teatro se tornem homogêneos e ambos falem juntos. Bons equipamentos de vídeo e projetores estão ficando mais baratos e, portanto, acessíveis. Então é começar a experimentar linguagens que misturem tudo e façam arte, ao invés de só misturarem tudo.


Considerações finais:
- Sim, "merda" pra nós todos! "Merda" pra quem quer ser diferente e não se importa com convenções, com repressões, com violências! "Merda" pra quem tem algo a dizer e diz sem medo! "Merda" pra quem quer ser moderno! "Merda" pra quem quer ser humano! Mas merda no sentido teatral da palavra (que quer dizer sucesso!). Porque da outra merda já estamos cheios.

Fale com Carlos Rosa: carlosrosa2006@gmail.com

(*) João Carlos Faria - jocafaria@yahoo.com.br

sexta-feira, 15 de junho de 2007

JOCA FARIA ENTREVISTA RICOLA DE PAULA









15.06.2007 00h.01


Ricola de Paula

O joseense Ricola de Paula é poeta e apicultor. Ficou conhecido como um contestador da cultura joseense desde os anos 80, quando participou dos movimentos culturais que forma denominados “Cantos da Cultura”.
Joca Faria (*)



Quem é Ricola e onde nasceu?

- Nasci piraquara, colado com o rio Paraíba, direto do hospital PioXII para o seio da Vila Maria.


De onde vem o desejo de escrever?

-Veio do interesse ainda cedo por leituras diversas, depois poesia que já me ofuscava na adolescência.Em que a arte pode mudar a vida das pessoas? - A arte pode mudar o cenário das cidades, do mundo, da civilização, tanto arte como poesia podem interferir neste oceano de alienação e medo em que nadam as pessoas.
Como é ser um produtor de mel? Tem cooperativas em Monteiro Lobato? - Colher mel é uma tarefa simples mais exige prática para não haver riscos ou acidentes. Ser a favor da biodiversidade e não bio-perverso. Há cooperativa em M.Lobato todavia eu pertenço a AJA (Associação Joseense de Apicultores) desde a sua fundação.


Você acha que o turismo rural pode melhorar o índice de emprego da região da Mantiqueira?

- Pode servir para gerar empregos, como pode haver impacto ambiental, a necessidade de gerenciamento de montanhas e nascentes além de outras medidas competentes.
Como é viver na Serra da Mantiqueira? - É ter imagens nítidas do inteiro-ambiente, a mente oxigenada, banho de rio, além de paçoca com banana nanica.


Quais poetas contemporâneos fazem sua cabeça?

- São muitos vou citar alguns: Régis Bonvincino, Carpinejar, Mariana Ianelli, etc...


Como vê a cena cultural joseense?

- A Fundação age de forma meio tímida o SESC sempre fez um bom trabalho cultural, o que eu sinto é que a política da as cartas, e parece que estão sempre trabalhando para a próxima eleição municipal.


Como foi o resultado de seu primeiro livro?

- Lancei meu 1º livro (Sirva-se de minha seiva/Poesia não gera violência) em 1982, tudo partiu de uma idéia do Joca Costa jornalista já falecido, atuava no jornal ValeParaibano, ele me passou a idéia de fazê-lo na forma de envelope com os poemas dentro. Foram muitas cópias, Vale,Minas,SP, e uma curiosidade vendi mais de 100 exemplares em Caçapava. Hoje depois do 4º livro, sinto que a primeira é inesquecível.
Você usa a internet para divulgar sua literatura?- Sim uso com moderação, más gosto muito da rede para dormir ou ler um bom livro.


Considerações finais?

- Estou feliz morando na Mantiqueira, sempre escrevendo, terminei um prefácio sobre o Montanhismo Clássico, vou colocando retoques finas no próximo livro Infanto-Juvenil, o 2º livro da menina Regina Vanderléia, também feliz com parcerias bem sucedidas, com "dia de grito" musicada pelo sanfoneiro Cauíc Bomsucesso integrante do grupo "Trem da Viração.
Fale com Ricola de Paula - ricola ricola (*) João Carlos Faria - jocafaria@yahoo.com.br

segunda-feira, 11 de junho de 2007

ENCONTRO LITERÁRIO

Encontro LiterárioSábado as 10 da manhã no dia 7 de Julho de 2007 haverá uma palestra dopoeta Marcelo Planchez sobre o processo de sua criação literária. Na Câmara Municipal de São José dos CamposGrupo Cidade das Palavraswww.cidadedaspalavras.com.br-- João Carlos Fariawww.cidadedaspalavras.com.brwww.vejosaojose.com.brJoca Faria

JOCA FARIA ENTREVISTA ZENILDA LUA






Zenilda Lua

É uma apaixonada pela vida, pela família, amigos, livros e poesia. Alguém que acredita piamente que as questões sociais seriam muito menos árduas se todos tivessem acesso a arte, cultura e especialmente à educação.
Joca Faria (*)


Quando e onde nasceu?

- Nasci no "comecim" dos anos 70. Na terra do Ariano Suassuna (Paraíba sim sinhô)
Como descobriu as letras? - Na primeira infância. Através da literatura de cordel, meus pais eram leitores assíduos daqueles romances e trovas, eu passei a apreciar e escrever sonetos simples e cartas de amor por encomenda.


Quais as expectativas do livro?

- A obra em si já era uma expectativa ampliada e decretada na minha vida desde a juventude. Eu queria apresentar meus poemas, não apenas por vaidade, mas por querer sair do anonimato e levar minhas palavras para além dos saraus e dos encontros literários com os amigos... Eu queria (e quero) com o ALFAZEMA em punho promover junto as escolas saraus, concursos literários, fomentar o exercício de se fazer e apreciar poesia.
Sinto mais, cada vez, que os jogos eletrônicos e a internet infestaram a vida das nossas crianças e adolescentes de uma forma excessiva e aguda sem deixar brecha às palavras, aos sonetos, aos bilhetes de amor, às estórias infantis, aos poeminhas de sábado. Com o ALFAZEMA me sinto mais segura e embasada para chegar às escolas da rede pública e privada, propor à direção a realização de oficinas literárias (em parceria com outros poetas), promover concursos de poesia, literatura etc.
De uma forma lúdica e responsável apresentar a literatura de cordel, a poesia dos nossos poetas joseenses (que são tantos e tão bons) a poesia regional... Enfim! Mil expectativa latejam neste coração sertanejo.


Quando será apresentado em sua cidade?
- Lançaremos o ALFAZEMA, em Patos, dia 6 de julho se 2007, na Casa de Cultura Amaury de Carvalho. Estou ansiosa e feliz de sobra...


Qual a relação com o poeta Reginaldo?
- Uma relação de extremo respeito, liberdade, cumplicidade, amor e zelo. Há mais de 15 anos partilhamos dos mesmos anseios. Reginaldo é meu parceiro e amigo. Embora tenhamos uma temática poética diferente, ele me inspira, faz críticas e me dá todo apoio, encorajando-me a ampliar as expectativas e realizações.


Como a arte influi na criação dos filhos?

- A arte é o melhor rumo quando se quer combater as desigualdades sociais, a falta de educação. Na arte nos igualamos, somos aplaudidos. Tento passar isso à minha filha Brisa, inserida neste contexto bem antes de nascer. Esta influência tem surtido ótimos efeitos. É gratificante vê-la atenta aos movimentos culturais. Percebemos sua inclinação à arte. Embora de uma forma ainda tímida, já existe nela o compromisso de buscar o conhecimento poético, musical e literário. Ela se engaja, participa, faz críticas, traz informações... É absolutamente prazeroso e motivador ver que, plantamos uma sementinha e a colheita se faz garantida.


Ainda existe feminismo ou vivemos a diversidade da igualdade?

- Prefiro dizer que as desigualdades de gêneros ainda existem, de forma clara e acentuada, nos países subdesenvolvidos, no nosso e no primeiro mundo. Bom seria se vivêssemos a diversidade da igualdade. Por mais crescente e colorida que seja a nossa presença (a das mulheres) nos espaços públicos, restaurantes, postos de gasolina, lojas, bancos, bares, empresas, escolas, delegacias, universidades e na arte em geral, percebemos que nos postos de comandos este número é muito aquém dos homens nos cargos de chefia, ganham muito mais que as mulheres exercendo a mesma função .
Contudo, nossa realidade se faz menos áspera se comparada às décadas anteriores. Conquistamos o direito de escolher nossos representantes e nossos parceiros... Ganhamos as praças, os livros... Temos liberdade de expressão, atuamos em diversas áreas... Embora os homens permaneçam mais destemidos, livres e atuantes, nós também estamos na ativa com a nossa bandeira de luta erguida, nos revezando entre o passar batom e lavar a louça do dia anterior... Sem perder a pose nem o desejo de mais sorte, com um milhão de flores na alma, sorrindo e amando-os declaradamente...