sexta-feira, 22 de junho de 2007

JOCA FARIA ENTREVISTA CARLOS ROSA...






22.06.2007 00h.01
Carlos Rosa

É um dos mais atuantes produtores culturais do nosso estado.

Ator e diretor trabalha com artes desde 1999, vem da ensolarada Caraguatatuba para a cidade dormitório. Produz intensamente com vários grupos com destaque para o grupo Cidade das Palavras, não poupou nada nesta bela entrevista dada a mim.


Quem é Carlos Rosa onde nasceu?

Carlos Rosa - Sou ator e diretor teatral. Também escrevo para teatro. Nasci em Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo. Me considero uma pessoa extrovertida e tento ver o meu dia-a-dia com humor, humor que levo para os meus trabalhos.

Quando surgiu o teatro em sua vida?

- O teatro surgiu em 1989, num curso livre no SESC São José dos Campos, monitorado pelo ator, diretor e músico Santos Chagas. Me lembro que encontrei um panfleto do curso na loja onde trabalhava. E não sei porque diabos resolvi fazer o curso. Digo sempre que comecei a fazer teatro porque gostava de cinema.

Ultimamente, tem dirigido e escrito peças de teatro? Qual objetivo?

- Dirigi recentemente o espetáculo "O Pedido de Casamento – Primeiro Tratamento". Baseado na obra de Anton Tchekhov. Estou escrevendo uma segunda versão desse espetáculo, o segundo tratamento. Onde adapto vários contos do mesmo autor, juntamente com o texto citado. Meu objetivo é investigar a comédia como entretenimento e crítica social. Acho que uma coisa não se separa da outra. Acho que o humor comenta as nossas mazelas as vezes de forma ácida, as vezes cruel e as vezes até carinhosamente, mas sempre zombando dos nossos defeitos. Rir dos nossos defeitos é uma qualidade.

Como foi a experiência de fazer vídeos ? Pretende voltar a fazer?

- Foi muito importante, aprendi muito. Acho que o meu teatro tem um olhar cinematográfico. Penso que mesmo quando não quero, esse olhar surge intuitivamente. Vejo minhas cenas em imagens.

Como é o teatro e a cultura no Vale do Paraíba?

- A nossa cultura popular é forte, secular. Por mais que a maltratem ela está aí. O teatro também tem sido maltratado por nossas instituições. A FCCR, por exemplo, menospreza o teatro da nossa cidade. Ela não sabe o que quer com ele. Os nosso grupos também tem muita culpa nisso, porque se concentram nas dificuldades em vez de buscar alternativas de produção. Reclamamos muito e produzimos pouco. Por outro lado temos exemplos excelentes de peças teatrais. Grupos que não ficaram apenas nos queixumes e conseguiram produzir peças premiadas.


Quais as peças que vem trabalhando no momento?

- Atuo no espetáculo Maria Peregrina, da Cia Teatro da Cidade e com direção de Cláudio Mendel. Também dirijo o espetáculo "A Noite das Mal Dormidas", de Nels Petersen, que reestréia em breve e o espetáculo, já citado, "O Pedido de Casamento Primeiro Tratamento".


Vê a possibilidade de criação de uma dramaturgia e um teatro com nossa identidade?
- Vejo sim, os espetáculos "Maria Peregrina", "Comecin das Coisas" são exemplo disso. Não que a nossa dramaturgia tenha que falar da nossa cultura mais tradicional. Ela também pode ser urbana, moderna. Acho que em breve teremos outras peças que falem de outros temas.


Que idéias tem para difundir o teatro na região?

- O teatro tem que ser independente da FCCR, do poder público. Tem que estar em vários lugares ao mesmo tempo. Temos, nós mesmo, que criar espaços pra isso. Os grupo tem que ser mais dedicados e mais sérios com seus trabalhos, pra termos mais qualidade. Só assim o público nos dará mais atenção. Mas não podemos ser dependentes da nossa vaidade, fazer o que a gente acha que o público vai gostar. As vezes é melhor dar um "tapa na cara" do espectador, no sentido figurado, claro.


O que é a Confraria da dança?

- É uma escola de Dança de Salão. Nela estamos ministrando aulas de teatro também, além de outros cursos como yoga e Consciência Corporal. É uma escola diferente, que eu acho que vale a pena ser conhecida.


Tem expectativa de trabalhar com a tv regional como anda vendo o Yotube?
– Não tenho experiência com a tv regional, mas gostaria. Acho o YouTube muito interessante. Me dá vontade de pegar uma câmera e fazer alguma coisa pra colocar lá. Acho que todo mundo que acessa sente a mesma vontade. E se isso é possível, então é fantástico!


Como inserir a linguagem digital no teatro contemporâneo?

- Não sei, mas hoje em dia temos muitos espetáculos multimídia. Isso é bacana também. O cuidado é não fazer duas linguagens onde deveria haver apenas uma. É fazer com que o vídeo e o teatro se tornem homogêneos e ambos falem juntos. Bons equipamentos de vídeo e projetores estão ficando mais baratos e, portanto, acessíveis. Então é começar a experimentar linguagens que misturem tudo e façam arte, ao invés de só misturarem tudo.


Considerações finais:
- Sim, "merda" pra nós todos! "Merda" pra quem quer ser diferente e não se importa com convenções, com repressões, com violências! "Merda" pra quem tem algo a dizer e diz sem medo! "Merda" pra quem quer ser moderno! "Merda" pra quem quer ser humano! Mas merda no sentido teatral da palavra (que quer dizer sucesso!). Porque da outra merda já estamos cheios.

Fale com Carlos Rosa: carlosrosa2006@gmail.com

(*) João Carlos Faria - jocafaria@yahoo.com.br

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