sexta-feira, 20 de julho de 2007

ANDRÓIDE POSSUIDOR DOS ANÉIS DE SATURNO




Se pudesse falar das coisas plenamente, sem fragmentos, sem despedaçar, sem grandes agonias ou intensos impulsos, no rosto passivo, contemplaria o vazio. No entanto, o coração pulsa rápido, num desatento compasso, caindo passo a passo, num desatino e voando para além de tudo que é real.

A palavra move, crava crivos e clavas em peitos frágeis; cravos e travas em mãos de ferro; cacos e pregos em pés de bronze, num corpo incendiado, pela loucura aliada à cumplicidade.

A palavra penetra no fundo, mexe na inspiração e na expiração tornando os seres, espiralados caóticos e multidimensionais. E os rios de vida deslizam tranqüilos, como sonhos, que começam a fervilhar feito pesadelos.

Será a pulsação do sangue que borbulha até a ponta dos dedos, oferecendo o fogo para queimar-se vivo? Deuses! Salvem e resgatem a todos de tão torpe heresia. Fogo sagrado! Elimine esse atroz destino em mãos inocentes. Triste sina dos amigos do finito tempo de espera.

Criam-se símbolos, palavras, poesias e canções para dar significado às humanas vidas inúteis. É tudo insignificante, difuso, confuso e então, cria-se o sagrado e o profano e as artimanhas cheias de teias e esteios para não perder o significado intrínseco. Para não perder a vida.

Não há vencedor, nem vencido. Vive-se a mesma dor, denominador comum. Vive-se o mesmo contexto descontextualizado das frágeis memórias fracassadas pela inconsciência. Todos têm a mesma trágica história, não por privilégios, mas por condenação.

Não há vaidades nisso, só certo asco ou dor. Não há indivíduo dramático, a aventura humana que é...Todos, a derramar o sangue e a linfa e os atos são reais e simbólicos. Sai, do eu para você, do você para o nós, com uma mobilidade invejável, como se tudo fosse a mesma coisa, sem nenhum parâmetro ou preconceito.

Os “instintos” dizem que há unidade na multiplicidade e sabe-se, tanto um como outro, que nada é por acaso. Até o lançamento de um olhar tem os seus significados ocultos, mistérios insondáveis da natureza humana. Não adianta perder-se em teorias quando se foge ao óbvio. É preciso ver o evento em tempo real e ao mesmo tempo dentro da relatividade do tempo. São todos, massa e energia, a única diferença é a cultura inútil. Então é inútil sentir-se acima dos minerais, vegetais e animais. É uma bela irmandade!

Guerra incessante, a verdade é que todos são espelhos insanos no qual se projeta a imagem retorcida e umbralina da decadência.

Quem busca na aventura humana todo o sal da terra está condenado a andar no fino fio da navalha. Nessa perigosa aventura não há passado nem futuro. Só o presente, de presente e essa é a única coisa que se tem a oferecer, não descartando a possibilidade de ser tão pouco.

Encontram-se no mesmo barco atravessando o limite entre a consciência e a loucura. Atravessando o labirinto, com a esperança de retornar intactos pelo fio da Ariadne. Os vaidosos perdem-se pelo caminho e os distraídos não sabem por onde caminham.

Ao trilhar o fio da navalha, aprende-se com as observações, análises e intuições que não se podem afirmar nada sobre nada e que os paradigmas passam conforme o tempo e o espaço.

Sabe-se da verdade absoluta que ninguém tem direção nem constância, portanto, vazios de qualquer atitude ou circunstância determinada. Passa-se pelo bem e pelo mal só pelo prazer de provocar os dois. Na verdade é o paradoxo que atrai e não a determinação de uma concepção do mundo. Concebe-se o mundo, eternamente delineado pela dualidade que é uma lei física e metafísica. Busca-se a síntese pelo prazer da transcendência. Energia eletrônica e atômica em si e fora de si. Não cabem as determinações quando turbilhões de movimentos interpõem-se diante das concepções e paradigmas. Nesse turbilhão, vislumbra-se uma ordem implícita e ao deleitar-se nas sensações mais puras, sobrevive às turbulências explicitando a ordem cósmica.

De situações em situações, sentindo, analisando, intuindo e transformando tudo a cada segundo, sem nunca perder a capacidade de espanto e admiração. A capacidade de assombro diante de qualquer fenômeno ou movimento é tal que parece ser drama e exagero. Na verdade, apenas expressão plena das sensações mais puras, dos sentimentos mais nobres, dos pensamentos mais profundos e os movimentos mais dúbios...enfim, o ser e o não ser. ELIZABETH

Um comentário:

Anônimo disse...

muito bom