sexta-feira, 31 de agosto de 2007

JOCA FARIA ENTREVISTA DAVI FERNANDES




















Entrevista Davi Fernandes de Faria

Quem é onde nasceu?
Sou apenas mais um rapaz latino americano sem dinheiro
no banco sem parentes importantes vindos do litoral.
Como diria o guns: sou da cidade paraiso onde a grama
cresce verde e tem garotas quentes (caragua).

Quando veio para São Jose?
79 era do punk rock.

O que é pintar, para você ?
É se expressar interior e exteriormente.

Por que a arte?
Porque o destino assim o quis.

O que faz para ganhar o pão de cada dia?
Arte.

Como você vê a política, nesta cidade?
Como diria o Patolino: você é um ser desprezível!

O que acha do governo Serra e do Governo Lula?
Serra tá serrando, lula tá enganando.

O que é o terceiro setor?
Mais uma forma de businnes.

Se fosse um governante, como resolveria a questão do
desemprego?
Justiça para todos e piedade pra ninguém!

Se presidisse a Fundação Cultural Cassiano Ricardo,
qual seria sua política cultural?
Mais cultura, menos política, mais gente especializada e
maior participação popular. Transparência nos
gastos públicos e investimentos.

Cite três avanços na atual gestão da Fundação, três
problemas e soluções.
Avanço nenhum. Problemas: Falta de transparência nas
contas. Solução: orçamento participativo mais
efetivo; Falta de artes especificas como pintura a óleo
sobre tela, escultura em pedras estilo
clássico, barroco, tai chin chuan e artes marciais em
geral, entalhe em madeiras, artesanato
japonês, oficinas musicais, óperas,etc. Solução: Fazer
curso especifico com profissionais competentes;
qualidade do atendimento em geral. Solução: Contratar ou
requalificar funcionários.

Amigos e inimigos muitos ou poucos?
Poucos.

Interesse por esoterismo, por que?
Porque é o caminho mais curto.

Como é morar na Vila Industrial ?
Chato, mas tem lugar pior.

Por que desistiu da música ?
Amava a música, mas ela não me amava!

Por que não deu certo como metalúrgico ou comerciante?
Não nasci pra isso.

Considerações finais:
Salve o Tibet!

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

DIVAGAÇÕES INÚTEIS


DIVAGAÇÕES INÚTEIS ( SOMOS SOMOS )

Somos o que queremos ser!
Somos o que podemos ser!
Somos o que poderíamos ser... Mas não somos.
Somos somas condensadas...
Somos somas coletivas à beira do abismo
Somos sem sentido e à deriva
Somos o macro e o micro
O finito e o infinito
Somos a turba a gritar dentro de nós
Espancando o real que nos mantêm.
Somos tão frágeis e Brutus... até tu?
Somos massa...
Somos somos de trás para frente
Para provar que a palavra
Só existe para brincar com a nossa garganta
Com nossos olhos
Com nossas bocas entreabertas
Com nossos lábios sabor tutti-frutti
A exalar letras ao vento!
A murmurar cantigas antigas!
A saborear frutos sonoros!
A lamber poesia gostosa!
A chupar a manga da camisa
Do alfabeto...
Uma camisa importada de Vênus
Mas paga pedágio em Marte
Um pedágio tão caro
Que raras vezes ela chega a Terra
Por isso somos descamisados e mudos
Diante de tantas letras a pirilampar por aí
Em noites claras de lua cheia
Uma lua branca
Como as pratas mais raras
E outra negra como o ônix
No entanto
O Mundo de Beth vai muito bem
Tentando galgar montanhas azuis
Sob os céus verdes
É preciso uma senha
Para entrar no templo
Se decifrar,
Adentrará os portais
Se não
Será engolido com gosto
Pelas bocas mais obscuras
Com palavras mais agudas
Do que um punhal...

Do Mundo de Beth

ELIZA / BETH

terça-feira, 28 de agosto de 2007

DESENHO DE GIZ NA NOITE FUNDA DAS ESTRELAS


Desenho de giz na noite funda de estrelas.

A noite está apenas começando, existe um certo suspense, as ruas estão vazias, já passa das vinte três horas.
A avenida principal da cidade é extensa, sobre o asfalto circula o silêncio, que por hora traduz em tom escuro a vaidade destas esquinas, que vem se misturar às aparições coloridas, exibindo ao longo da calçada suas fragrâncias chamativas, bem dizendo, mulheres cujo beijo proibido à cidade acontece desejando seus corpos.
Os olhos percorrem a flor da tentação, querendo despedir-se no espelho alquimico, é a maneira sexual dos anjos, que se fartam em seus corpos.
A noite resume –se num passeio de alcunhas anônimas, existe celebridade, porque de fato é uma arte a sedução.
Elas, intrinsecamente carregam em suas entranhas uma essência sem culpa, vem ao encontro de uma cura final para um vazio labirinto do desejo.
A lua, as estrelas, as dimensões, silhueta sem alma, sem beijo na boca, o amor se disfarça em encontros casuais.
Estas poucas mulheres não herdam o apocalipse de certas Marias, são anjos ou demônios, que tatuam em suas vidas o deus lascivo da vontade.
A cidade oculta os passageiros da luxuria, aos poucos vai se colocando em papel passado à extensão dos leitos não oficiais, isso acontece só em dados estatístico, dificilmente vem à tona o número do colegiado dos filhos das outras.
Seria não navegar a verdade, se não podermos anunciar intimamente os sussurros e gemidos em portas fechadas, nos hotéis baratos, a ocupação de certas pessoas que cuja herança de família é repudiar a má causa, é pecar às escondidas.
Quantos são aqueles que levam o bom nome e nenhum passado bate em suas portas, mas tudo sempre ocorre do mesmo jeito, porque todo o processo é frágil, elas não se pertencem mais, a vida fica lá fora nas esquinas!
O presente não se figura mais, o passado sempre espreita sem tempo, com memórias, no fundo existe uma adolescente molestada, um quadro terrível, um drama, algo que ninguém esquece, o que jamais irá secratizar, mesmo cauterizado com o paliativo, no lugar do coração vai pulsar uma pedra de gelo.
A noite é uma criança feliz, estas mulheres precisam se sentir vivas, maquiagem básica, pintadas para o estrelado, economizam lágrimas, desabam um sorriso sobre a face amargurada, a bailarina dança sua sina, novamente a menina acha-se nos braços da noite, o encantamento não vai durar para sempre, mas longe se vê o desenho de giz na noite funda de estrelas.

Marcelo Planchez.

O MUNDO DE BETH


O mundo de Beth

Joca Faria

A poesia nossa de cada dia.
Estou curtindo a diversidade poética de São José Dos Campos no mais recente cd de poesia que gravamos e nos deparamos com pérolas da poesia contemporânea feita em nossa cidade. Estamos aprendendo muito com diversidade de talentos. A boa poesia na terra de Cassiano Ricardo. E isto vem acontecendo há muito tempo... Estou conhecendo bem esta historia através do blog da poeta Beth Souza que esta relatando as movimentações culturais realizadas na Praça Afonso Pena. Uma praça central na cidade é o coração da cidade. Vejam por si mesmo entrando neste maravilhoso mundo de Beth: http://mundodebeth.blog.terra.com.br
Nos anos noventa produzimos o LITTER e o Poesia Industrial, ambos com a apoio da antiga comissão de literatura da Fundação Cultural Cassiano Ricardo e do seu departamento de Ação Cultural.
Hoje nasce o jornal "O Grito" de Maira Varela e também uma bela revista a "Fragmentos", editada pelo cineasta Marcelo Magano... E se todos permitirem chegará em 2007 um jornal de literatura e artes produzidos pelo grupo CULTURAL CIDADE DAS PALAVRAS com a força e garra dos mesmos.
A JAC, gráfica e editora vem editando belos livros em nossa cidade e não devemos esquecer da já famosa PAPERCROM que também edita bons livros.
O grupo cultural Cidade das Palavras almeja ser uma ong editorial produzindo livros e vídeos e retratando nossa historia e poesia. Hoje, com o advento da internet, a poesia flui cada vez mais forte em todo nosso planeta e nós, joseenses, nunca ficamos de fora. Aconteceu, durante o ano de 2006 e continua em 2007, sarais em bares da cidade, como o Pimenta e o Rapsódia Bar e na Vila Tatetuba com o Bardos Bar. Grupos poéticos vem surgindo como a Confraria dos Artistas com vários eventos. A Fundação Cassiano Ricardo com o Projeto Pão com Palavra e o retorno das antologias e a Semana Literária. Nossa poeta Josie com o já tradicional Café Filosófico Paulo Nubile. É tudo isso acontece em São José dos Campos no campo das letras, mas falta o retorno a Praça Afonso Pena. Falta uma maior interatividade dos escritores e poetas de nosso Vale. Nosso grupo faz encontros na Câmara Municipal da cidade buscando esta união, através de palestras e debates. Estar presente é muito mais do que só estar no mundo virtual. Façamos a festa juntando-nos numa grande celebração ao renascimento da poesia.

João Carlos Faria

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

JOCA FARIA ENTREVISTA MOACYR PINTO










Moacyr Pinto

Onde nasceu? Cresceu?

Nasci em Pacaembu, interior de São Paulo, aos 8 anos fui para São Bernardo do Campo, de onde saí pela primeira vez aos 26.


Por que o desejo pela escrita?

Há muito tempo venho escrevendo, como professor e assessor sindical e partidário, mas também como cidadão; estou sempre enviando os meus palpitezinhos para os jornais. Costumo dizer que devo 80% do meu relativo
sucesso profissional à minha capacidade e disposição para escrever. Este livro mais autoral, falando em meu próprio nome, era um velho projeto, que a roda da vida me trouxe na hora certa.

Política,
para que serve?

Alimento a firme convicção de que a política surgiu entre os humanos para se opor à barbárie, apesar das barbaridades que muitas vezes os homens cometem em seu nome; ela é imprescindível. Gosto menos dos “civis” que fazem demagogia falando mal dos políticos do que dos próprios políticos.

Ficou um bom tempo longe de São José dos Campos.
Como vê a cidade, hoje?

Tenho achado ela mais desumana, mais sem graça, mais pobre de espírito e quero crer que é em função da falta de debate, da prevalência do pensamento único entre nós; nos anos 1980, por exemplo, ela era bem mais animada. Hoje, o que tem predominado em São José é um pensamento único que mistura os
interesses de velhas figuras conservadoras e reacionárias com a força do neoliberalismo, que aqui se impôs de maneira violenta, em função da nossa pujança econômica, e ainda não foi deslocado, apesar do seu rápido envelhecimento como alternativa de organização social e política em todo o mundo. São José tem uma ficção chamada de “classe média” - sucesso de público no You Tube - que é assalariada e não se considera classe
trabalhadora, é tecnicista, insensível e muito passível de manipulação. Ela se contenta com um governo local que vive de aparência, inclusive da aparência estética da cidade (planta flores e troca a grama todo dia de algumas praças e jardins por onde ela circula) mas não oferece assistência médica e nem educação de qualidade para os seus filhos. Quanto à situação dos que moram na periferia da cidade, essa tal “classe média” nem sabe onde fica.

Como vê a educação na cidade?
Pontos positivos e negativos. Propostas.

A avaliação das nossas crianças e adolescentes do Ensino Fundamental feita pelo Mec teve como resultado uma média em torno de 5,0, portanto abaixo dos 6,0 almejados como média nacional, para alcançarmos os mesmo padrões dos países mais educacionalmente adiantados no mundo. Penso que, com os recursos orçamentários que São José dispõe (o grande ponto positivo), nossa obrigação era de estar ajudando a puxar a média nacional para cima e não estar onde está, portanto deveríamos estar bem acima da média 6 e do jeito que as
coisas andam (com ações apenas administrativas) vai ser difícil isto acontecer. Acho um erro o autoritarismo e a centralização praticada na educação pública joseense e paulista e um absurdo essa história da escola pública comprar “pacotes de ensino” da rede privada, além desse tal de “empreendedorismo”, que vem alicerçando a filosofia adotada na formação das nossas crianças e adolescentes.
Minha proposta: que as autoridades públicas cumpram a lei e tenham coragem de implantar um Plano Municipal de Educação realmente democrático, para o qual uma boa parcela da sociedade deu farta contribuição anos atrás, quando o então prefeito Emanuel Fernandes, demonstrando total desconhecimento de causa, prometeu fazer aprovar em poucos meses, às vésperas de uma eleição.

Comente seu
livro.

Ele é produto de uma revisão histórica que eu fiz, a partir da minha experiência pessoal - fazendo questão de não apelar para pesquisas bibliográficas e trocando muitas idéias com os meus parentes amigos e velhos companheiros - onde falei de tudo, dos inevitáveis e esperados, ao menos pelas pessoas que me conhecem, palpites sobre educação, política e sindicalismo, até questões pouco ortodoxas como a morte e a mania de cantar, alto e sozinhos, sem mais nem porque, que muitos de nós temos. Como sou educador profissional e contador de causo, essa faceta em razão da minha origem caipira, o meu amigo e professor Luiz Carlos Lima disse que ficou parecendo um livro de auto-ajuda; e eu sempre acredito no Lima. Afinal, todo contador de causo quer passar um ensinamento no final da história, não é mesmo?

Governo Lula,
como avalia?

Acho que o Governo LULA está bem aquém dos nossos sonhos, dos sonhos da esquerda brasileira mais sensata, mas vem sendo o melhor governo - para quem precisa de governo e não para os querem o governo e o país para eles - da nossa história. Digo isto tanto pelo patamar no qual o país se encontrava no início do seu primeiro governo como pelo estágio da nossa organização política e social. Particularmente, acho que ele vem falhando mais do ponto de vista político do que administrativo, pelo fato de não travar as batalhas políticas e ideológicas possíveis de travar; eu falo sobre isto no livro. Acho que corremos sérios riscos de termos como seu sucessor alguém que venha a remar no sentido oposto ao que vem sendo feito, pelo fato de não se estar investindo na preparação dos “de baixo” da nação para o enfrentamento político e ideológico que aí está dado.


Já conseguimos ter uma noção do governo Serra?

Para mim está dando 100% a lógica; o Serra, mais do que o Alckmin, que era um caipira autoritário e sem tradição no Poder executivo e na grande política, é um privatista
neoliberal também autoritário e traquejado, que
“não perdoa, mata!”.

Se voltasse a ser criança, do que brincaria?

Acho que de novo de bola, ainda gosto muito, apesar da abstinência justificada pela idade e pela falta de adversários, e também de médico, porque no passado a minha mãe não me deixava chegar “perto das filhas dos
outros” e eu, vivendo, descobri que é muito bom!

Livros que esta lendo? O que gostaria de ler?

Estou lendo um livro (uma tese de mestrado em Ciências da religião) sobre a vida do Santos Dias, metalúrgico cristão morto na porta de uma fábrica em São Paulo, capital, no ano de 1979 e o “Retrato do artista quando jovem”, do
James Joyce – de quem já li “Os Dublinenses”- como vestibular para ler o Ulisses.

O que aprecia, da MPB?

Curto ouvir desde Maysa, João Gilberto, Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, até o Lenine, Zeca Baleiro e Adriana Calcagnoto; além do povo cá do Vale, como o Déo Lopes e o Trem da Viração, Eduardo Rennó e o Grupo Rio Acima,
Paranga, Margareth Machado e os de fora que seguem no mesmo e bom embalo, como o Tião Carvalho, Ceumar e Paulo Freire, entre outros. Ando louco por música e cinema (em DVD, porque nas telas a coisa anda muito ruim, não?) ultimamente.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

REGINALDO POETA GOMES

Semana Literária Agosto 2007

O que será que um artista brasileiro, seja um autor, seja um artista plástico, seja um músico fez a partir dos anos 1980 e continua fazendo hoje? Será especial? Será diferente? Pois é isso mesmo que a edição da Semana Literária de agosto vai abordar: A Literatura e as Artes do Brasil a partir dos nos 80. Este tema foi escolhido devido justamente a essas e outras inúmeras perguntas deste tipo que são feitas e não são respondias. Esperamos que a discussão que este curso propõe seja boa e que os estudo responda a algumas dessas perguntas. A Semana Literária acontecerá no Auditório da Biblioteca Pública Cassiano Ricardo com dois horários, uma turma das 9 às 12hs e outra das 14 às 17hs, com os seguintes temas:
27 de agosto de 2007
: Panorama contemporâneo da Literatura Brasileira no início do século XXI, com a professora Josefina Neves Mello.
28 de agosto de 2007
: As Artes Plásticas do Brasil atual, com a professora Patrícia Nepomuceno.
29 de agosto de 2007
: A música do Brasil atual, com o maestro José Roberto Canizza.
30 de agosto de 2007
: A literatura no Brasil dos anos 1980, com a escritora Rita Elisa Seda.
31 de agosto de 2007
: A literatura no Brasil: autores contemporâneos, com a escritora Rita Elisa Seda.
Pão com palavra
: no dia 1º de setembro de 2007, a partir das 9:00, teremos a palestra Net Art e Ciberliteratura, ministrada pela professora e artista plástica Ana da Cunha, em que iremos falar sobre a Literatura na Internet, sua novas aplicações, questões relevantes a direitos, autorais, divulgações neste novo meio de mídia. Também no Auditório da Biblioteca.
Tanto o curso quanto e evento têm certificação. Esperamos por vocês. A entrada é gratuita e não é necessário fazer inscrição prévia. Maiores informações na Biblioteca com Tiago, ou pelos telefones 3921-6330 ou 3922-2130, também pelo e-mail semanaliteraria@hotmail.com . Participe!!!
Biblioteca Pública Cassiano Ricardo _ Rua XV de novembro, 99 _ Centro _ São José dos
Campos sp Brasil

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

EXPLOSÃO ORGÂNICA


Atravessando o portal
Nas mãos, uma cruz paradoxal (o falo e o útero)
No bojo
Um cartão postal, do “louco”
Ingênua criatura, em fuga Bachiana
Atrás de si, o cão
A sua frente, o abissal
Nesse momento cinematográfico
As paixões dilaceram
Trituram
Maceram como ervas
Que cultivo num jardim
Suspenso em meu peito frágil
Mas passam
Como vento assoviando
Ou como brisa de fim de tarde
Que não tem por que
Busco o outro lado da catedral
Onde pouso meus joelhos ao chão
E busco, na melancolia
O sino
A sina
O sono
O balanço e o som
Evoco uma constelação
Onde pesa o coração e a pluma
E ao meu lado, o corvo
Devorando minhas entranhas
Um pouco por dia
E Dylan Thomas dá um sabor de morte
Aos meus ouvidos atrozes
Ávidos por música
Ao meu olhar sem sentido
Ávido por cores
A minha pele amarela
Ávida por maciez
Ao meu íntimo coerente
Ávido por transfiguração
Meu ser anacrônico
Ávido de luz
E o “louco” ali na minha frente
Um espectro atraente
Num embuste corriqueiro
Que se pode acostumar
Numa lucidez in delírio
O “louco” atravessa a estrada
Meu caminho predileto
Com sua beleza lunar
Perco a direção do sol
Por um instante, devaneio
Olho!!!
Aprecio!!!
E Dylan Thomas
Soa como um sino
Acompanho com o olhar
Aquela figura estranha
Singular
Bela
Sem rumo
Numa atitude silenciosa e inocente
Neutralizando o átomo.


Eliza / Beth

terça-feira, 21 de agosto de 2007

TEMPO OBTUSO


Tempo obtuso

A João Nicolau

Raios de sol na manhã de outono... caminho sem rumo pela cidade distante.


Joca Faria (*)


Vejo mapas de nossa mãe América e continuo a caminhar. Cães morrem em frente ao meu portão e nada podemos fazer, pois não somos donos nem da nossa própria vida.

Faço provas de concursos, navego contra a corrente no rio de nossa cidade. Não vejo mais a cachoeira do Potim, tudo se perde no tempo. Dezoito anos se passaram e tudo mudou, só não muda minha vontade de vencer.
Por estes dia ando lendo o livro Tempo Obtuso de João Nicolau, que é um presente para nossa sensibilidade. Feito de uma poesia sintética... Nunca havia lido, que alguém não gosta do próprio cheiro. Este amigo e agora poeta, me surpreendeu. Não havia ainda, nenhum trabalho dele, que fizesse brilhar os meus olhos. Talvez, o João devesse esquecer suas câmeras e ações e dedicar-se a palavra escrita. Chegar em imagens, ao requinte de seu livro de estréia, Tempo Obtuso.

João, longe de estar na querida classe média é um Dom Quixote sem Sancho Pança. Está sempre só, passa pelos grupos de nossa terra com seu cabelo grande e cara de pouca simpatia. Mas por trás deste ar arredio, São José dos Campos tem mais um poeta.
Este passa a ter o direito de se intitular, sem ganhar diplomas de nossa Irmandade Neo-Filosófica, se bem que merece um premio Lá Merda, por seus personagens e mau humores.
É um artista, num tempo em que ser artista, não é nada, como diz abda Almirez I. Se chegarmos num caixa bancário e bradarmos que somos artistas, seremos presos... E daí? Né, senhora Beth Souza... E DAÍ?

Parabéns, Nicolau, agora é um maldito completo, é mais um errante poeta, com um livro seu. embaixo do braço... Vá, siga sua sina maldita, de ser mais um sofredor, nestas terras cassiânicas. De bem aventuras e bombas de Deus, fazemos carros, aviões e brincamos de deus, simples poetas.
Há a tribo maldita, a qual pertencemos... Prefiro ser um maldito poeta a um político ladrão.
Nossos olhos brilham ao ler João Nicolau... Ele esta nu a andar por nossas avenidas, que se dispa de sua alma, agora estamos afoitos a esperar um novo livro. Quem sabe desta torta mente nasça um longa metragem.
Parabéns amigo-inimigo, sempre presente nas horas mais incertas. João, não vá ficar envaidecido não. Ser poeta é abrir os olhos diante das estrelas pulsantes. Será apenas mais um feiticeiro a buscar sentidos em latas de lixo.

Joca Faria

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

UM RISCO E UMA TRAJETÓRIA


Que fosse o risco reto na folha de papel
Que fosse, em poucas palavras que descrevêssemos o mais solene verso
Que fosse o tempo em que nossas almas debruçassem caladas sobre a multidão de imagens
Que fosse as mãos habéis e a caneta o meio supremo de impor o calor intenso da poesia
Que fosse o tempo e o relógio uma trajetória.
Que fosse em minhas veias o rio sangrento de toda a revolução
Que fosse o céu iluminado que nunca se apaga
Que fosse a criança de vestes brancas com um largo sorriso.
Que fosse a constelação inteira brilhando
Que fosse a seqüência incessante de ondas do mar
Que fosse o coração batendo de emoção
Que fosse o universo mágico da imaginação
Que fosse o beijo molhado de ternura
Que fosse o jeito dengoso de ser
Que fosse o caminhar feminino
Que fosse o jardim de margaridas amarelas
Que fosse o suspiro da vida de quem fosse
Que fosse apenas um simples soprar do vento
Que fosse o abrir e fechar de olhos

Marcelo planchez

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

JOCA FARIA ENTREVISTA CÉSAR POPE

















Entrevista Cesar Pope

Quem é onde nasceu?


Eu nasci a dez mil anos atraz. Depois reencarnei em
Assis, no interior de Sao Paulo. Terra de in-cultura
agropecuaria, coroneis da soja e pouca coisa mais,
alem de ser rota do narcotrafico. Mas na verdade me
sinto cidadao do mundo e co-responsavel pelo planeta
Terra. Nascer ali foi uma sorte. eu poderia ter
nascido mulher no Bangladesh, ter tido o clitoris
cortado e pegar colera no lixao, depois de ser
queimada com acido pelo meu proprio marido. Isso sim
seria uma vida triste. Nao reclamo de nada. Boca de
siri.


Que pais é este?

Moro num pais tropical. Pais com uma das piores
classes politicas que existe no mundo, e olha que nos
sempre lutamos contra isso. Passamos dos coroneis do
engenho aos engenheiros da corrupçao sem intermedios.
O Brasil é um gigante com pes de barro e atolado na
merda. Gente bonita mas sem cabeça. Gente com cabeça
mas sem pernas proprias. Um espelho embaçado da
globalizaçao dura e crua. Eu sinto uma mistura de amor
e odio pela nossa gente e pela nossa cultura.
Banalizaram tudo.
Sabemos que todos nos brasileiros, temos mea-culpa
dessa situaçao.


Como a Europa vê os latinos americanos?

Soy loco por ti America. Eles nos vem com olhos
grandes pois aqui estao as riquezas que eles espoliam
e assim podem manter o status primeiro mundista. O
FMI, a Europa, USA e Japao sao responsaveis por muitos
dos nossos problemas de atraso cultural e social.
America Latina é o jardim e o horto do primeiro mundo,
vendendo sempre seus produtos, a preço de banana e
comprando a merda deles a preço de ouro. Enquanto isso
a ditadura chinesa segue explorando seus cidadaos e
enchendo o mundo de coisas inuteis ou de pessima
qualidade, com a benevolencia do sistema.


O que foi a Radio Aguapé?

Essa é pra tocar no radio. Foi um importante encontro
de pessoas inquietas, num momento de marasmo e
desilusao em Sao Jose e Vale do Paraiba, coisa que nao
mudou muito daqueles tempos pra ca. Dali sairam muitas
ideias e projetos que duram até hoje. Nossa missao foi
de dar voz e criar condiçoes para a cidadania se
manifestar como autenticos protagonistas de suas vidas
e da nossa sociedade. Alem de ser tambem a utopia
feita no dia a dia a base de orgias multietnicas e
longas noites de prazer e alegria. Quem viveu gostou.


Quem são os loucos, eles ou nós?

Dizem que sou louco por eu ser assim. Nos somos os
loucos saudaveis e inocentes. Consumimos nossas drogas
sem fazer mal a ninguem e cantamos a celebraçao da
vida, do amor e da paz. Eles so querem poder mas nao
sao felizes. A gente relaxa e goza. Eles nao relaxam
nem gozam. Them belly full but we hungry. Podres
poderes, a religiao, a politica e os banqueiros. Fuck
off.


Política, o que fazemos para melhorar?

Policia para quem precisa de policia. Nao votar é um
mecanismo valido. A politica partidaria ja demostrou
que nao soluciona nada. O poder corrompe.
Devemos participar cada vez mais da vida social e
comunitaria tentando ajudar os mais carentes, sempre
com a meta de que uma sociedade culta nao passa fome.
Quem manda na verdade nao sao os politicos. Eles sao
meros fantoches das grandes corporaçoes
multinacionais, no Brasil, na Italia e em todo o
mundo.Ideologia, eu quero uma pra viver.


Onde, jogaria uma bomba poética?

No Vaticano, na Mecca e em Israel. Uma bomba cheia de
poesia, musica e cores, que fizesse Boom-bah-meu boi e
espalhasse um perfume de alecrim, incenso e curry. As
religiões, a política e as multinacionais são a
demoníaca trindade que causa tanto sofrimento aos
povos de todo o mundo.


A humanidade tem futuro? Que futuro?

Bichos saiam dos lixos.Eu vejo o futuro repetir o
passado. Ja nao temos tempo pra pensar em futuro. O
melhor lugar do mundo é aqui e agora. Os mares vao
subir, a agua dos rios vai baixar, as epidemias ja
estao ai na esquina, os poderosos sao cada dia mais
poderosos e o povo, cada dia mais ignorante e
vulneravel. Deveriamos pensar e fazer no presente se
queremos ter um futuro. O passado ja sabemos que foi
melhor.


Para você, o que é São José dos Campos?

A cor dessa cidade sou eu.O canto dessa cidade é
meu.Um polo industrial com altos voos e baixos
salarios. Poucos ricos e muitos pobres
socioculturalmental. Ainda bem que existem os anjos
encarnados em artistas que fazem dessa cidade seu
ninho porque senao seria desolador. Nossa cidade
sempre foi um espelhismo do Brasil. Um jardinzinho da
burguesia rodeado por um grande anel de ignorancia e
pobreza de espirito. Como beleza natural é explendida,
pelo menos isso né? O por do sol....


Finais considerações:

Afinal, se ja perdemos a noçao da hora. Considerando o
limitado espaço de uma entrevista, eu gostaria de
dizer que sou muito otimista e adoro SanJusa. A minha
lista de pessoas lindas dessa cidade é enorme por isso
nao cabe aqui. Faz 17 anos que estou fora mas sempre
que volto me sinto em casa. Adoro andar pela cidade e
encontrar pessoas que fizeram e fazem ainda, parte da
minha vida. No que toca a humanidade, ela caminha
manca, guiada por um cego sem voz. O jeito é ligar pra
alguem e pedir um abraço.


http://cesarpopevirtual.blogspot.com/

http://www.myspace.com/radiocesarpope

PODER




Poder

Joca Faria

Nesta era de informações ou hiper-modernidade o poder não é dado a qualquer um. É necessário muito esforço para alcançar o poder, seja ele qual for.
Desde um emprego ou ser eleito presidente da republica de um pais qualquer. Tornar-se um grande empresário, tem que se lutar muito para chegar lá.
Até para ser poeta há um grande esforço. Para construir uma ong tem que estudar muito e arregaçar as mangas para chegar lá.
E assim, nesta hiper-modernidade com internet quase de graça em infocentros e bibliotecas demonstra que não se paga caro pelo conhecimento. O grande abda Almirez estudou tudo sobre economia nos anos noventa, numa biblioteca pública. Depois, entrou na faculdade, dominando a matéria e desafiando professores. Hoje, está na classe média, curtindo o esforço feito na década passada.
O grande líder latino americano Hugo Chavez, é uma dessas pessoas que se preparou muito para conquistar o poder, mas infelizmente usa o seu conhecimento para criar uma nova ditadura na nossa América.
A democracia deve estar junto com o conhecimento. O filósofo Samael Aun Weor atravessou a América Latina a pé, até chegar ao México. Ele trouxe para a contemporaneidade o Conhecimento Gnóstico, de todos os povos antigos do planeta e de graça, repassou em seus livros para aqueles que querem deixar de serem cegos.
E assim livros estão nas estantes das bibliotecas ou são vendidos bem baratos, em sebos, basta vontade para buscar o conhecimento, o saber.
Lula é presidente porque o José Dirceu construiu um Partido dos Trabalhadores bem preparado, nos melhores moldes do Partido Democrata Americano. O PT é hoje, um dos três grandes partidos no mundo.
Tudo deve ser planejado, ter um projeto de vida e lutar por ele. O músico Edu Planchêz, finalmente começa a gravar um cd, com um bom produtor musical, depois de passar fome pelas grandes capitais brasileiras.
E assim, caro leitor, lute por seus sonhos, vá em frente e chegará lá. Estamos na era da informação, mas o mundo ainda precisa de pedreiros, açougueiros, carpinteiros e poetas.
Nunca se desesperar, lutar pelos sonhos, chegar ao pódio e ser os campeões, como dizia a velha banda Queem.
E assim vou me indo, tenho que ler e agir muito neste dia... hoje!

João Carlos Faria

sábado, 11 de agosto de 2007

ENCONTRO DAS HORAS



Encontro das horas

Hoje acordei mais cedo, caminhei ate a sala e em frente a minha janela, notei um belo campo florido, a visão diante de meus olhos, fez com que congela-se a cena, que no momento levava a crer que neste cenário de poucas palavras, emergiria uma acepção abstrata, um elevado espirito de comunhão entre eu e a aquarela no jardim.
O sol contempla com toda força o espetáculo de simplicidade, aos poucos a min parece que algo surpreendente irá decifrar algum enigma nas cores havidas.
O vento percorre entre as flores mansamente, toca - pétala por pétala e em seguida parte para seus circuitos rumo ao inesperado, o propósito é assoprar a leste ou a oeste seja qual for o expoente a seguir.
A lua hoje de manhã veio visitar o dia, com sua aparência cheia tomou conta do céu, um brilho parvo, combinando com a neblina que cobria parcialmente o firmamento, as estrelas haviam se despedido junto com a noite, mas deixaram fragmentos de orvalho perdidos na relva.
As horas vão passando lentamente, os ponteiros vão marcando passo a passo encontros e desencontros na fração de cada segundo do tempo, o dia é tomado por axiomas ritmados de correria, os rosto envolvem mistérios, os pensamentos viajam nos argumentos deste dialeto, existe um sincronismo invisível, todos desejam uma mesma paragem.
O sonho abrange circularmente os muitos esconderijos do âmago, atras da íris, o quilíade de pensamentos vai a nau procurando um não sentido, o oculto foca no espaço a esperança perdida no limbo do inconsciente.
O dia esta começando, pela fresta da porta de longe vê-se vagarosamente o reflexo do sol que percorre a estrada e nas curvas do asfalto vai vencendo os obstáculos, em instantes vejo surgir montanhas e florestas, paraísos verdes que fogem do alcance dos olhos, o coração esconde milímetricamente um compasso absurdo e ao mesmo tempo navega um mar de surpresas, o inesperado rapidamente soma-se ao panorama.
O sol se esconde atras dos montes, a tarde abraça o crepúsculo num gesto de despedida.
A noite vai cobrindo o dia com seu manto de estrelas, o sol se foi, despedindo se da lua com seu brilho de inverno, os ventos frios percorrem todo o horizonte em metamorfoses reais.

Marcelo Planchez

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

JOCA FARIA ENTREVISTA LÉO MANDI







Entrevista Léo Mandi


Quem és tu ? realmente existe?

Sou um homem que sabe que a humanidade da qual faz parte já viveu
muitas Mortes e ele será mais uma. E por isso esse homem tem que viver de modo
a estar ligado com tudo. Possibilitando-se construir sem ser destruído pelo
tudo. Só posso provar que existo para mim mesmo. Pois só consigo causar
efeito em mim. Só eu sinto meu efeito. E eu existo.


Onde nasceu? onde morrerá?

Nasci em Piranguçu, Minas Gerais.
E não sei onde vou morrer,
Quero que seja num lugar onda exista
Muitos animais, mulheres e crianças.


Porque vive nesta dimensão?

Vivo para fazer e incentivar o amor
pela criação.


Musica, poesia, dá o pão de cada dia?

Dá! Dá pra viver. Dá pra entrar em contato com o melhor da raça
Humana e ganhar algum dinheiro com isso. Eu comeceiA ganhar meu dinheiro tocando no Bairro do D.Pedro I e dando aula na minha casa no Jardim Colonial. Misturava aula de violão com movimento pela revolução interior. Escrevia no rodapé da partitura alguma coisa de Castro Alves, Manuel Bandeira e outros. Os alunos vinham me falar de problemas com a família e de novos projetos.
Alunos do D.Pedro, do Campos dos Alemães, do Colonial, começavam imaginar viagens pelo país e a sonhar, e a ter uma vontade imensa de fazer e estudar arte.


Como foi sua viagem ao Rio de Janeiro?

É a quarta vez que vou ao Rio. Na primeira vez, não conhecia ninguém e resolvi partir para o desconhecido. Nas outras vezes eu fui a convite do Edu Planchêz, e foi muito bom ter convivido com ele. E, com o Planchêz, mostrei minha música no Leblon, em Copacabana e na Lapa.
Toquei uma música minha no Circo Voador e foi muito louco.
Foi uma viagem fabulosa. Eu pude experimentar a execução do meu trabalho em
outra geografia e em manifestações artísticas muito diferentes das que
acontecem aqui. Confirmei de modo prático que a arte que eu invento aqui pode ser usada em qualquer lugar. Foi uma viagem que confirmou a mágica que se realiza em quem lança a si mesmo na busca de mais diversidade e multiplicidade cultural. Conheci mais gente no Rio de Janeiro e conheci um pouco mais do Brasil.


O que não leu? o que vai ler? o que já leu?

.Livros sobre receita de amor e sobre receitas de religião.
.Nietzsche, Hermann Hesse, Tim leary,Ítalo Calvino, Caetano Veloso,Paulo Leminski, Arnaldo Antunes,Koellreutter e a Bíblia.
.A Águia e a Galinha, Leonardo Boff e Revistas sobre Heavy Metal e Punk.


O que acha do Pinheirinho? e do prefeito?

Cresci passando de ônibus em frente ao Pinheirinho e em trinta anos, nunca houve habitante ali.Era um lugar sem vida. E hoje tem vida. Repleto de seres humanos. Muita criança brincando e homens e mulheres sonhando com uma vida mais digna, mais especial, mais criativa e realizadora.
É um lugar que fortalece a zona sul. Com a presença das pessoas do pinheirinho, os comerciantes da zona sul começaram a lucrar mais e a feira do Colonial aos domingos, hoje tem uma coloração cultural muito mais rica.
Eu fiz um show no Pinheirinho e muita gente se ajuntou pra cantar comigo.Foi num sábado à noite. Durante a tarde já havia uma criançada linda perto do palco enquanto a gente montava o equipamento. Durante a noite ficou repleto de trabalhadores. Homens e mulheres que sonham e lutam.Todo mundo ligado. Compreendendo as idéias das minhas letras e pensando sobre minha postura.
Durante a noite o Pinheirinho tem uma das mais belas fotografias da cidade. As luzes das casas, dos bares e dos postes formam uma vila linda que ajunta a imagem das araucárias com o céu E com horizonte que se avista em Jacareí.
É um lugar que dá mais vida à zona sul.
.O prefeito é um homem trabalhador. Ta fazendo o trabalho dele. Ele não
impede ninguém de agir. A câmara de cultura é um projeto muito bom pra
cidade. E tem um monte de coisa boa nessa cidade relacionado à prefeitura.


Se fosse o Presidente da República, o que faria?

Criaria um ciclo de viagens, onde toda cidade trocaria seus habitantes por habitantes de outras cidades. De três em três meses, as cidades trocariam de nome e de habitantes. Nossa cidade poderia um dia ser chamada de Teresina e iríamos todos para a cidade de São José dos campos, lá no Piauí.


Fale dos seus trabalhos em cd.

Minha primeira participação em cd.Foi no cd-coletânea “Tudo que te agrade”, do Celebreiros. E, eu gosto muito daquele disco.
Em 2001 gravei um trabalho no estúdio da fundação cultural e distribuí para alguns amigos. Só que não lancei esse cd, através da imprensa. O resultado não me agradou totalmente. Então, em 2005, gravei um disco que se chama “Lucro Varrido”. Onde o jornal Vale Paraibano, fez uma entrevista comigo. E eu adoro esse disco. Falo dessa cidade e de mim imaginando uma velocidade incompreensível e cheia de música. O “Lucro Varrido” foi gravado em Jacareí.
Fizemos a capa toda em casa. O disco fala da Avenida Andrômeda, da Praça Afonso Pena, das Lojas Americanas e do cine Santana, numa viagem a meio metro acima do chão até pousar no Jardim Colonial. Num lugar que recebe todas as invenções e se chama AEROPARTO SONORO.
Gravei esse ano 4 músicas, com Diego Oliveira, percussionista de Jacareí.
Fiz uma música pro Chico Science que se chama, DALAI LAMA DO MANGUE.E uma música pra uma moradora de rua de São José dos Campos, DONA ARTÉRIA.
Está no site: WWW.OESTUDIAO.COM.BR


Consideraçoes finais.

Valeu pelo espaço. Eu acredito em micro-organizações, em pequenas atitudes que qualquer pessoa pode realizar para levantar a si mesmo e participar do que a humanidade inventa.Um abraço.

Mas tudo acaba mesmo?
Não. Existe o que é feito para acabar de vez, sumir, desaparecer.E existe o
que nunca acaba.

EPA



Epa???

Joca Faria

Estamos aprendendo a usar este mundo virtual para reais experiências de linguagem. Deparei me com uma ousada proposta de nosso Cesar Pop...E vamos nos aventurar, afinal tudo cabe em nosso quintal.
O beijo dado nesta madrugada, incendiou meu desejo. O sexo veio e nos sentimos felizes no dia de hoje.
Quero fazer uma canção tão igual e tão diferente das que ouvi ontem. Rita lee e sua viagem sonora me encantou, no Yotube. Quero ouvi-la em todas as galáxias que for... Não quero nada além de escalar nú, a pedra do Baú.
E cantar na madrugada fria, da minha, da nossa Mantiqueira...
Dia desses, estava eu em plena praça Afonso Pena, acompanhando a vida de um pardal...que belo Pardal! livre leve e solto....hoje li um poema sobre tigres de nossa Elizabeth ...em seu mundo subterrâneo...
quem somos nós, além de nossa falsa moralidade? Seguro- me na cadeira de balanço, ao ler um livro sobre a prostituição em São Paulo...vejo-me em todos os personagens, as prostitutas, os bêbados , bichas... Agora, neste plano, sinto a necessidade de chegar mais próximo do sol, sem queimar minhas asas. Quero ser Deus!!! Para isso, deixo minha alma de Demônio para traz. BUSCO sair deste labirinto de orgias e pecados insanos e tornar-me um diamante. Qualquer dia desses, mando uma entrevista para o Marcelo Planchez, por enquanto, saboreio as resposta de Edu Planchez. Minha alma caminha sobre a terra, sou o pássaro preso na gaiola...
Sou a mulher de pernas abertas na madrugada de São Paulo. Não sou eu mesmo, pois ando longe, muito longe de minha essência. Quero ver a luz, quero ser luz...
Prefiro meu silencio sexual a grandes orgias. Já vivi em muitas eras e experimentei tudo isso, minha amiga.Agora busco algo sagrado...
Já vivi em templos e bordeis, já fiz de tudo que sua torpe imaginação pode querer. Agora, caminho em direção ao mercado para comprar uma rapadura de cinqüenta centavos...
Não mais tenho medo dos infernos... Já sei que passei por ele. Agora, quero chegar aos céus e tornar me anjo...

João Carlos Faria

www.cidadedaspalavras.com.br

domingo, 5 de agosto de 2007

JOCA FARIA ENTREVISTA EDU PLANCHÊZ...













Momento histórico
J o c a F a r i a e n t r e v i s t a E d u P l a n c h ê z


A HORA DOS DIAMANTES

“Nós, os Celebreiros, declaramos somente contar com a chama de nosso interior/Contamos apenas com o “mar de raios”, do sol do céu,
do sol de nossos corações brasileiros universais/Possuímos raízes profundamente fincadas/Determinamos cobrir esse país –Terra/
com as folhas de ouro da poesia/“Não avançar é recuar”/Nossas mãos, vozes, palavras, inauguram a comunicação de alma para alma/
Essa é a atitude de um celebreiro pau para toda obra/Essa é a nossa doce entrega/Nada ou ninguém é caso perdido/
Avancemos!/Caso queira,nos acompanhe/Avançaremos, e o que importa é avançar/Se desejar, nos chame de tropicalistas,
mangue-beat, nação-brasílis, homens-mulheres de pedra orgânica, ciclone invisível,
ou qualquer outra maravilha sem cotação na bolsa de Pequim/O fato é que estamos acordados
diante de uma terra cheia de estrelas e demônios estrelas./Nada à temer/
A Lei das Leis é a nossa pele selvagemNosso sonhos ganharão corpo no reino da matéria/Não abriremos mão, ser feliz é a nossa opção/
Infalivelmente os verdadeiros humanos serão evidenciados e a voz do poeta será (é ) a maior de todas as vozes
porque a poesia é a maior de todas as revoluções” EDU PLANCHÊZ

A entrevista:

Quem é Edu Planchêz? Onde nasceu? Onde cresceu?

Edu Planchêz é um homem simples, nasceu no mesmo bairro que nasceu o mestre Guinga, Jacarepaguá, Rio de Janeiro, Zona Norte. Edu Planchêz é um guerreiro incansável que segundo o mestre Dailor Varela não passa de um animal poético de versos livres e alucinados. Orgulhosamente ele é um dos maiores poeta cantor pensador de seu tempo, dedicou uma existência a essa “loucura”. Edu Planchêz é irmão do mundo, brasileiro universal, rebento do novo, uma ou duas crianças brincando com as próprias fezes, um ancião adorador de mitos e comédias mais velho que Enoke, um devasso revolucionário que ama fazer amor com orientais e negras sobre as copas das árvores. Edu Planchêz nasceu para quebrar a couraça da hipocrisia com suas artorianas mãos de Budha, com sua voz profundamente humana, com suas palavras intensas carregadas de ouro e lama. Edu Planchêz ainda está nascendo. Edu Planchêz cresce nas lagunas dos corações de seus fraternos
amigos. “As pessoas que eu amo, amo bastante.” “Daqui do Rio de Janeiro eu estou te sacando!” Viva o Príncipe Luís Melodia!!!

Como vê a arte hoje?

Como sempre fiz, com os olhos da boca de minha alma de gás azul. Vivo no século XXI mas tenho braços e pernas espalhados por todos os séculos passados e futuros. Os verdadeiros artistas deveriam abandonar o egóico e partirem para o social, assim como faz o meu irmão Tico Santa Cruz ( Vocalista dos “Detonautas”) e seu grupo performático “Voluntários da Pátria” grupo do qual faço parte. Jim Morrison disse: “Quando os assassinos do verdadeiro reino obtém licença para agirem livres, mil mágicos surgem sobre a Terra!” Porra! Eu sou um desses Mágicos! Você também é?!?! Se acreditar... “Todo jornal que eu leio diz que a gente já era, que não é mais primavera...a gente ainda nem começou!” DEFITIVAMENTE, NÃO É O FIM, É HORA DE DESPERTAR, DE APONTAR TODAS AS LANÇAS INCENDIÁRIAS PARA OS OLHOS DO SOL HUMANO. A arte e seus criadores são sacerdotes, é preciso que haja essa compreensão. Medo de quê? Acredito que estar
enterrado numa carceragem, nos equinócios de um hospício, nos trapos de um leito hospitalar ou nos egoísticos acordes de si mesmo, é degradante.


Como vê a internet?

Tanta gente falando de Internet... “que depois da roda e da televisão é a maior de todas as invenções”...deve ser. Vivemos a Era da comunicação, a Internet veio para facilitar a vida, mas ela não tem vagina, não tem cérebro, não tem pernas, não tem braços, não tem pau, não tem bunda: sou mais eu, sou mais você. Caralho, a Internet é uma ferramenta de trabalho fuderosa, para nós escritores tarados é uma maravilha. Ter o mundo sob a ponta dos dedos é excitante. Eu adoro. Gostaria que saísse leite de verdade do peitão que me ataca agora nessa tela faminta. Mas se eu quiser leite mesmo tenho que ir até a geladeira ou bater uma mística punheta.
Em tempo: Eu sou a maior de todas as invenções! Ou seria a sirírica?

Rio x Sampa?

Duas Terras queridas, dois pontos no mapa, duas canções, os aros das minhas orelhas. Vivo no Rio de Janeiro porque aqui enterrei o meu umbigo, amo essa cidade, suas histórias, ruas, pessoas e encantos. Recomendo a todos o livro “ Carnaval no Fogo - Rio de Janeiro uma cidade excitante”, livro este, escrito pelo genial jornalista Rui Castro. Nesse livro sê tem a real noção do que é viver na fabulosa RJ.
O estado de São Paulo, a cidade de São Paulo, minha segunda pátria: amo e odeio. Nas brenhas do estado de São Paulo inventei esse Demônio poeta vomitador de metais em combustão, trepando nas forquilhas das goiabeiras do quintal de nossa casa lá do Parque Novo Horizonte. Esse mesmo Demônio, correu pelas valetas do Jardim da Granja catando gravetos e lambaris raquíticas. Não posso negar, sinto falta da Mantiqueira majestosa, dos meus irmão e irmãs de luz e trevas, das mulheres que gentilmente me doaram suas bocas e pêlos. No estado de São Paulo nasci para a poesia, para o meu despertar espiritual e humano. Tenho grande gratidão a essa Terra e suas pessoas. Amigos das terras de São Paulo, saudades!


Como está enxergando São José dos Campos hoje?

Com saudades, sem saudades. “Toda cidade é uma lenda.” São José dos Campos e todo o estado de São Paulo possuí muitos olhos provincianos, não gostou de me sentir vigiado-censurado. Dei muito e pouco recebi; fui escorraçado, humilhado por pessoas de mente estreita voltados apenas para seus próprios interesses. Hoje entendo Cassiano Ricardo, da sua aversão aos valores da sociedade joseense, da forma que a cidade lhe cobrava só por que ele era “um corpo humano que venceu”. Cassiano Ricardo e sua poesia são maiores que São José dos Campos, que a burrice e os burros que tentaram me oprimir. Por onde ando nem todos conhecem São José do Campos, mas certamente conhecem ou ouviram falar de Cassiano Ricardo. Tenho um amigo ( o poeta CHICO CHAVES) que atualmente coordena o setor de Artes Plásticas da FUNART que funciona no prédio do Ministério de Educação e Cultura (MEC) aqui no Rio; ele afirma que Cassiano Ricardo é um moderno criador
de imagens, de metáforas extravagantes, que não deve nada a nenhum poeta do mundão dos poetas visionários. Chico Chaves disse que Cassiano Ricardo precisa ser redescoberto. Na época que eu era conselheiro e coordenador da comissão de Literatura da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, levei a proposta do Chico Chaves para uma parceria entre o Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro e a Fundação Cultural Cassiano Ricardo para fazermos um ciclo de exposição e debates sobre Cassiano Ricardo aqui no Rio de Janeiro, simplesmente fui ignorado, o professor Diniz ( que era o presidente) não tomou conhecimento, o conselho cagou. Não recebi de São José dos Campos o valor que mereço, mas reconheço que muito aprendi com a cidade, com algumas pessoas. Afirmo: os melhores filhos de São José dos Campos são meus irmãos, irmãs, amigos, amigas! É uma pena que os interesses políticos tenham destruído uma Fundação criada pelos artistas,
Fundação essa que fez trabalhos primorosos e que serviu de modelo para muitas outras Fundações do Brasil e do mundo, eu sou testemunha. Usar o nome de Cassiano Ricardo, dar o nome dele a uma fundação Cultural conservadora e a uma remota avenida é uma grande hipocrisia. São José dos Campos jogava pedras fedorentas em Cassiano, só porque ele era famoso, genial, amigo de pessoas influentes... A grande poesia de Cassiano Ricardo precisa ser lida, ela não carece dessas homenagens menores. Sugiro que mudem o nome da Fundação Cultural para Fundação Cultural Dailor Varela. Dailor Varela é meu padrinho, poeta de renome nacional. Quando Belchior esteve em São José dos Campos, perguntou-me no camarim do teatro Municipal: “ Aqui não é a terra daquele grande poeta? Respondi, “Cassiano Ricardo!?”, Belchior disse, “não”, Dailor Varela!!! Dailor foi o cara que me descobriu, que me entrevistou pela primeira vez quando era o responsável
pelo caderno Vale Viver. Dailor precisa ser mais valorizado, ele é grandioso, homem de coragem, criador de extrema capacidade, irmão dos que ousam e do simples, ele está para muito além dos usam a horrenda mortalha do poder. Para mim Dailor Varela é mais importante que Monteiro Lobato.
Dailor Varela, presidente das Nações Unidas dos Pássaros Comedores de Brasas Arreganhadas.

Leis de incentivo o que acha?

Não sei. Não quero falar sobre isso, deixo para o Franklin Josias e para o meu parceiro Eduardo Pane. Liguem o Gilberto Gil, para Beth Brait, para o Alcemir Palma, para o Cacá Diegues, para o Jarbas Passarinho, para o Golbery. Pesquisem na Internet. Só um comentário: A novela das oito é de longe melhor que a maioria dos filmes que foram patrocinados por essa dita Lei de Incentivos. Tenho acompanhado algumas pré-estréias que rolam toda semana no cine Odeon-BR (que fica aqui perto de casa), sinceramente, pouca coisa vi me comoveu, gostaria de saber quem foi que falou que Caio Brant é cineasta. Porra, os caras pegam um montão de grana ( do Itaú, da Sabesp, BNDS) para fazerem aquelas merdas, filmes caretas defensores de padrões conservadores. O cinema é uma máquina cara, simples e complexa, requer profundidade, peso filosófico, magnitude tribal, xamânismo crônico, seriedade solar. Todas as glórias a Neville de Almeida, o mestre dos meus
olhos curiosos. Neville, diretor célebre de “A dama do Lotação,” Navalha na Carne”, “Os sete Gatinhos”, “Matou a família e foi ao cinema 2”... e uma porrada de outros títulos iluminados. Encontro Neville sempre, com uma câmera digital no reino das mãos, captando tudo, ele vive entre os poetas, entre os da rua, ele é uma pessoa simples, não usa a sua celebridade para se isolar do mundo e das pessoas, ao contrário, não estagnou como a maioria dos que fazem sucesso. Orgulho-me de ter como amigo e irmão o mahatma Neville de Almeida. O Rio de Janeiro é lugar apaixonante, e seus habitantes...os peixes da lua cheia.


Como o mundo reage a sua poesia?

Calorosamente, com espanto, indignação, repulsa, desprezo, prêmios, comendas, tapetes vermelhos, pedradas, beijos na boca .Não tenho o que reclamar, minha poesia cumpre sua função junto a sociedade humana, ela é uma bunda na janela, um ouriço do mar de diamantes cravejado de pérolas e amigos. Escrevo em primeiro lugar para as minhas sonoras pupilas. Uns me chamam de psicodélico, outros de intenso romântico, outros de lunático, outros de “momo sexual”, e outras coisas que agora não recordo.
Abri o Orkut alguma horas atrás e me deparei com o seguinte comentário: “Você já leu o perfil do lunático Edu Planchêz, vocalista da banda-desgraça Blake Rimbaud?...” Joca, estou ficando famoso, pop, celebridade, farol das novas gerações, exemplo a ser seguido. Joca, eu sou apenas um andarilho que faz de suas palavras flechas perfumadas. Joca, pela poesia rompi com a minha família, fiquei por anos longe de meu filho, de mim foram arrancados amores, morei andando por muitas estações, usei farrapos, pedi esmolas, fique sem poder ir ao médico, ao dentista, pedi carona, roubei comida, fui trancado no manicômio. Não me arrependo de nada. A minha integridade, a integridade da minha poesia e da música que faço transcende esse tempo, seguramente se espalhara a todos os povos. Minha banda “Blake Rimbaud “ é a nova grande banda do Brasil. Acabo de publicar dois livro: “LATITUDES DO ESCORPIÃO” e “INDIO NEON”( segunda edição) que
esta à venda na internet, é só me procurar no Orkut. Minha banda também está disponível para shows... www.blakerimbaud.com.br


Você é pop ou cult?

-Pergunte ao povo.


Por que não escreve mais aqueles ensaios maravilhosos que fazia
na pagina dois do Litter?

-voltarei a escrever.


O poder público compra a consciência dos artistas?

A minha, não! Neste momento estou gravando dois discos, um de poesia, ou seja, os poemas que fazem parte do meu livro “Latitudes do Escorpião” estão sendo gravados por mim e por Grad Azevedo no apartamento dele na Glória, e também acabo de entrar em outro estúdio com os músicos da minha banda, a Blake Rimbaud ( os guitarrista Danilo Lima e Reinaldo, o baterista Daniel Mendes e Baixista Ivan da Usina) com produção de Felipe Cavalieri ( atual produtor do cantor baiano Riachão), camarada que por muito tempo foi técnico musical produtor da Som Livre, ele assinou muitos discos que certamente estão e vossa estante, por exemplo: “Cantoria um e dois”, o encontro de Geraldo Azevedo, Xangai, Elomar, Vital Faria e Alceu Valença.

O que acha da burocracia nas artes?

Uma merda, mas há quem goste...


Fale-nos de novos artistas?

Destaco a cantora paraibana ELMA ALEGRIA,o violonista cantor compositor maranhense GRAD AZEVEDO,o ator performático IGOR COLTRIM, a cantora mineira que gravou uma de minhas músicas, a SANDRA GREGO, o poeta TAVINHO PAES ( autor de “Rádio Blá”,” Totalmente demais”, entre outros sucessos), o poeta pernambucano BRASIL BARRETO, o TICO SANTA CRUZ do Detonautas Rock Club, o poeta professor paraibano FLÁVIO NASCIMENTO, o poeta joseense DOUGLAS ELEOTÉRIO que está aqui pelo Rio cursando Letras na UFRJ e fazendo parcerias brilhantes com Antônio Cícero e Ferreira Gullar, a poetisa BETINA BOPP, a cantora poetisa LIDOKA ex-Frenética, o poeta BAIÁ TONÉLI, o ator poeta EDUARDO TORNARGUI, o poeta cantor compositor LÉO MANDI, o poeta JOÃO MARCELO PLANCHÊZ ( meu irmão), o poeta intelectual GUEDES BUENO, as poetisas JOSEFINA DE MELO, DANIELA PENELUPPE, DIRCE ARAUJO, BETH SOUZA, BETH BRAIT, o múltiplo musicista MARCUS FLEXA, o poeta RICOLA, o poeta REINALDO SÁ, o poeta ZÉ MORAES, o compositor EDSON PRATA entre muitos outros aguçados criadores de respeito.
O Brasil e o Rio de Janeiro estão vivendo uma intensa febre de poesia: muitos saraus acontecendo, poetas e mais poetas derramando o leite da solidariedade sobre o rosto da cidade Mãe, do país Pai.


O que anda compondo?

Algumas novas canções, eis a letra de uma delas:

CADEIA
150 pessoas confinadas num cubículo
que no meu entender
cabe apenas um único demônio

A imagem dolorida permanece latejando, impossível digerir,
não encontro respostas no campo do sentimento

Nessa noite
fui na companhia de alguns amigos
a uma carceragem
(em Nova Iguaçu),
ao chegarmos encontramos irmãos
iguais a nós,
sentados no chão sujo e frio,
estavam lá à nossa espera
Ali na qualidade de poetas solidários,
levávamos e buscávamos
um pouco de calor humano
e esperança para nós e para aquelas pessoas habitantes do inferno

Acredito que estar enterrado numa carceragem,
nos equinócios de um hospício,
nos trapos de um leito hospitalar
ou nos egoísticos acordes de si mesmo,
é degradante

Edu Planchêz

Considerações finais:


Um poema de meu novo livro “Latitudes do Escorpião”:

N a t e s t a d o s m u r o s

Tudo corre, tudo é mercado, Era digital:
ciflas astronômicas cobrem
os céus que antes eram cobertos de astros e bailarinas

Não quero esse mundo sem violas reais,
sem cadeira nas calçadas de Vila Isabel

Acordo diante de uma realidade há muito profetizada
Os homens deixaram seus cérebros serem tomados
por vermes de porco

Nada me curva, mundo apodrecido!

Amigo Irael Luziano,
irmão, as juras que fizemos estão impressas
na testa dos muros

Edu Planchêz

AMÉRICA DO SUL


Encontro Literário

Sábado as 10 da manhã no dia 11 de agosto de 2007 haverá uma palestra do
artista plástico Davi Fernandes de Faria sobre o processo de sua criação artística.

Na Câmara Municipal de São José dos Campos

http://fotolog.terra.com.br/daviffartes

Grupo Cidade das Palavras

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Pasteis dos chinas


Joca Faria


Ontem meramente ontem te encontrei pelas ruas.
Andando pensativa te animei te convidando para comer um pastel numa pastelaria de chinês. Contei-te que eles já fazem estes belos pasteis há mais de três mil anos.
E só agora me livro dos pré-conceitos e desguto estes belos pasteis de noventa centavo em nossa Rua Quinze de Novembro é que na verdade nos somos preconceituosos com quem não fala nossa língua.
É uma mentira que dizem minha garota que nos povo brasileiro somos amáveis, mentira queremos tirar o coro de nosso próximo.
Somos bem selvagens em nosso capitalismo tupiniquim. Somos descendentes de bárbaros Portugueses vieram aqui degradados para explorarem estas nossas riquezas.
E nos achamos hoje muito espertos. É menina não precisas andar cabis baixa por ai.
Levante-se acredite em si mesma. E vamos comer nosso pastel e tomar uma maçazinha campeão.
Que é daqui de Jacareí. Precisamos ter fé em nos mesmos. Vamos caminhar pelo calçadão da Rua 7 de Setembro. Ver as vitrines ...deixe seus currículos por ai. Sem medo. Bom vou me indo...Preciso caminhar até a Vila Industrial.
Sabia que nossos bairros ainda não foram pintados por nossos artistas plásticos que bela idéia falarei com o Davi e sugerirei pra que ele retrate nossas comunidades em tela...
Ontem ao voltar para casa a noite, vi lindas gaivotas voando em direção a vargem.
Talvez ainda haja esperança nesta terra maltratada pela poluição do ar, contaminação do solo. E por ai vai...

João Carlos Faria

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sábado, 4 de agosto de 2007

AI !

Ai!

Um tanto de palavras e outro de expia.
Quanto mar de dor solta as línguas?

Diz-se que o mundo está doente,
Se assim é a maioria não sente a dor.

Quem a sente nem flores planta; na sua maioria.
Quem planta estéreis palavras o que colherá?

O mundo morre, moribundos sorriem.
Que forte droga nos deram.

Esquecemos de nós.
Quais amarras nos prendem?

Símbolos ribombeam.
Vítimas caímos cegos.

Quem recolherá os cacos?
Quem morrerá primeiro?

Nós? A natureza? Os surdos? Os mudos? Os críticos?
Para nós, paranóia a parte, suplicantes em suplício, que esperança?

Faz-nos rir discursos ao vento.
Expiamos em dores o que não compreendemos.

E então? A quanto ficamos?

Certamente, nem todas as palavras explicam o mundo, não plantam as curas, traduzem os simbolos e recolhem seus mortos, ou se libertam dos nós que matam a natureza que chora, enquanto nos divertimos na dor.

É hora de não falar e sim de dizer. Menos palavras e mais ações. Poetas do mundo uní-vos. Materializem os pensamentos do pensador que primeiro sente. Deixemos nossas vaidades (vãs) e contruamos instrumentos de gritos. Sussurremos amorosamente, como os amantes; gritemos loucamente, como os loucos; expressemos os símbolos da liberdade como os que procuram a liberdade.

Flores do verbo se fazem necessárias.
Como quem aprende a ler aprende a plantar, plantemos.

Paulo Pinheiro

VELUDO LARANJA

VELUDO LARANJA
(mulher nouvelle vogue )

Lapa in transe, a Lapa q eu quero ver,
o cavalo vindo do nada para ao nada voltar
Pode ser q seja cinema
Pode ser q seja Marcel Proust
enfeitado com um chapéu-veludo-laranja

Não sei se desejo escrever aquilo q queres
Ouço o relincho do cavalo dos versos acima
e a palavra da mulher nouvelle vague
reluzir nos pingos vermelhos

Arcos q te quero Arcos
coroados de som,
pela chuva e pelos muitos bondes amarelos

4 horas de quinta-feira, número 21 da rua Riachuelo,
eu sentado sobre um sofá pintado a mão,
o precário rádio mastiga as notícias da manhã que ainda não vivi

Logo este poema estampará seus genitais pelas telas dos computadores,
rostos anônimos, o seu e o meu,
sendo aos poucos tingidos pela a estranheza dos vocábulos

Esse poeta q não bate cartão deveria estar dormindo
e não olhando para o retrato torto do torto Raul Seixas

Lapa in transe,
guerra nos morros da cidade capital mundial do foda-se,
a fé é o que nos mantém,
o sol mora em minha unhas
e na valsa caótica da cidade linda

Edu Planchez

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

DESCIDA / SUBIDA

A melancolia
É uma ânsia de ser
Mais do que se é...
Uma subida
Verticalmente doida
Para além
De terras planas.
São montanhas mirabolantes...
Apogeu do Nada
Que nos devora
Num eterno
Big Crunch.
Quero então
Estender-me no éter
Respirar universos encantados
Desativando
Artérias articuladas
E desenfreados suspiros fúteis
Por melancolias passadas
E descompassadas
Pelo tempo sem fim

ELIZA / BETH

BANHADO

Banhado.

Na orla do Banhado debruço-me sem embaraços
vejo ribanceira abaixo
o lado mais pobre da cidade

Existe a esperança estampada nos rostos
de crianças que nos trilhos de aço
circulam em um trem de poucas brincadeiras

A realidade oprime o cotidiano
A paisagem fica intacta nos resíduos que a metrópole produz
Os ventos sopram solidão nos anseios
Tragédias baratas que não vende jornal

Luzes retorcidas
Imagem útil da vida
Que resiste a todo ponto de vista
Mas não cobra nada de quem passa
Passa a limpo o desfile sem graça
Do jardim real de Marias e Josés sem flores.

Marcelo Planchez.

CARTA DOS LEITORES

Cartas dos leitores

MUITO BEM MEU CARO JOCA, APRECIO SUAS PROPOSTAS CULTURAIS. A PROPÓSITO, POR
ONDE ANDA O NOSSO AMIGO REINALDO SÁ? POR FAVOR SE TIVER NOTÍCIAS DELE NÃO SE
ESQUEÇA DE ME COMUNICAR.

UM ABRAÇO.
ED. 01/08/2007

GRUPO PIRAQUARA

Piraquara comemora 20 anos

com Sinhô, Senhora



O grupo folclórico Piraquara, da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, comemora seus 20 anos, com a realizadação de quatro apresentações do espetáculo Sinhô, Senhora, no Teatro Municipal de São José dos Campos, nos dias 07, 14, 21 e 27 de agosto, às 20 horas, com entrada franca.

As apresentações serão abertas ao público e voltadas, principalmente, aos estudantes de escolas públicas e particulares da cidade. As escolas e grupos interessados, podem garantir seus ingressos pelo telefone (12) 3924-7358, com Luiz Peres ou pelo e-mail: peres@fccr.org.br.

O espetáculo Sinhô, Senhora é uma remontagem de um dos primeiros trabalhos do grupo e reúne três manifestações populares: as taieiras (“baianas”), moçambique e congo de sainhas. O nome é uma homenagem a São Benedito e à Nossa Senhora do Rosário e foi apresentado no encerramento do 6º Revelando São Paulo Vale do Paraíba e na entrega ao público do Parque Vicentina Aranha, no aniversário da cidade.

Oficinas abertas – Durante o mês de agosto, o grupo Piraquara realiza também oficinas especiais de empapelamento, percussão e danças folclóricas, recebendo grupos de alunos e demais interessados. As aulas acontecem nos dias 3, 10, 17, 24 e 31, das 14h às 18h, no Espaço Piraquara.

O Teatro Municipal de São José dos Campos fica na Rua Rubião Júnior, 84 – 3° piso, Shopping Centro. O Espaço Piraquara fica na sede da Fundação Cultural, Av. Olivo Gomes, 100 – Parque da Cidade - Santana. Informações: (12) 3924-7358.



Assessoria de Comunicação

Fundação Cultural Cassiano Ricardo

(12) 3924-7304 / 7307 / 7328

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

TRAÇA

Traça

Joca Faria

Chegando à velha biblioteca de nossa Cidade deparei com um poema de minha autoria muito bem editado no Jornal Traça de nossa Fundação fazia tempos que não via algo meu sendo editado na Fundação Cultural Cassiano Ricardo.
Também pudera nunca envio meus textos para nossa bela antologia , mas gosto muito de ler todas as de contos são minhas preferidas. Consigo memorizar cada conto que leio entrão para meu imaginário como um de uma recente antologia que um cara fica num ponto de ônibus e vai ficando até a eternidade.
Quando criarmos um projeto de cinema e já estiver maduro enquanto roteirista irei adaptar um conto deste.
Tem um de um gárgula que toma o corpo de um homem também aos poucos.
Temos um bom contista na Cidade o Jorge Pessoto agente cultural no Novo Horizonte.
Nem falo dos contos do Reinaldo de Sá este já merece um livro solo há muito tempo.
Vive aqui na Biblioteca falta até um cafezinho quando nos encontramos no antigo sebo que tem aqui que vende livro a um real.
Mas hoje em dia gosto de vir no Pão com Palavra em um sábado por mês.
A semana literária é um achado da Dirce Araújo que vai virar tradição.
Enfim ler e escrever é a melhor saída nesta vida moderna que levamos, tem também as oficinas culturais no projeto artes nos bairros.
Que vi nascer quando fui agente cultural e que sobrevive muito bem até hoje.
No mais São José tem uma boa fermentação cultural e agora surge varias ongs e grupos.
Formando um grande balaio como diria o mestre Cláudio Mendel.
Eita vamos em frente que o tar do trem ta passando uai.

João Carlos Faria

www.cidadedaspalavras.com.br