sábado, 4 de agosto de 2007

AI !

Ai!

Um tanto de palavras e outro de expia.
Quanto mar de dor solta as línguas?

Diz-se que o mundo está doente,
Se assim é a maioria não sente a dor.

Quem a sente nem flores planta; na sua maioria.
Quem planta estéreis palavras o que colherá?

O mundo morre, moribundos sorriem.
Que forte droga nos deram.

Esquecemos de nós.
Quais amarras nos prendem?

Símbolos ribombeam.
Vítimas caímos cegos.

Quem recolherá os cacos?
Quem morrerá primeiro?

Nós? A natureza? Os surdos? Os mudos? Os críticos?
Para nós, paranóia a parte, suplicantes em suplício, que esperança?

Faz-nos rir discursos ao vento.
Expiamos em dores o que não compreendemos.

E então? A quanto ficamos?

Certamente, nem todas as palavras explicam o mundo, não plantam as curas, traduzem os simbolos e recolhem seus mortos, ou se libertam dos nós que matam a natureza que chora, enquanto nos divertimos na dor.

É hora de não falar e sim de dizer. Menos palavras e mais ações. Poetas do mundo uní-vos. Materializem os pensamentos do pensador que primeiro sente. Deixemos nossas vaidades (vãs) e contruamos instrumentos de gritos. Sussurremos amorosamente, como os amantes; gritemos loucamente, como os loucos; expressemos os símbolos da liberdade como os que procuram a liberdade.

Flores do verbo se fazem necessárias.
Como quem aprende a ler aprende a plantar, plantemos.

Paulo Pinheiro

Um comentário:

Elizabeth disse...

As palavras não explicam, mas expressam todos os sentimentos do mundo...Poesia linda demais!!! Abraços, Elizabeth