quinta-feira, 2 de agosto de 2007

BANHADO

Banhado.

Na orla do Banhado debruço-me sem embaraços
vejo ribanceira abaixo
o lado mais pobre da cidade

Existe a esperança estampada nos rostos
de crianças que nos trilhos de aço
circulam em um trem de poucas brincadeiras

A realidade oprime o cotidiano
A paisagem fica intacta nos resíduos que a metrópole produz
Os ventos sopram solidão nos anseios
Tragédias baratas que não vende jornal

Luzes retorcidas
Imagem útil da vida
Que resiste a todo ponto de vista
Mas não cobra nada de quem passa
Passa a limpo o desfile sem graça
Do jardim real de Marias e Josés sem flores.

Marcelo Planchez.

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