quarta-feira, 29 de agosto de 2007

DIVAGAÇÕES INÚTEIS


DIVAGAÇÕES INÚTEIS ( SOMOS SOMOS )

Somos o que queremos ser!
Somos o que podemos ser!
Somos o que poderíamos ser... Mas não somos.
Somos somas condensadas...
Somos somas coletivas à beira do abismo
Somos sem sentido e à deriva
Somos o macro e o micro
O finito e o infinito
Somos a turba a gritar dentro de nós
Espancando o real que nos mantêm.
Somos tão frágeis e Brutus... até tu?
Somos massa...
Somos somos de trás para frente
Para provar que a palavra
Só existe para brincar com a nossa garganta
Com nossos olhos
Com nossas bocas entreabertas
Com nossos lábios sabor tutti-frutti
A exalar letras ao vento!
A murmurar cantigas antigas!
A saborear frutos sonoros!
A lamber poesia gostosa!
A chupar a manga da camisa
Do alfabeto...
Uma camisa importada de Vênus
Mas paga pedágio em Marte
Um pedágio tão caro
Que raras vezes ela chega a Terra
Por isso somos descamisados e mudos
Diante de tantas letras a pirilampar por aí
Em noites claras de lua cheia
Uma lua branca
Como as pratas mais raras
E outra negra como o ônix
No entanto
O Mundo de Beth vai muito bem
Tentando galgar montanhas azuis
Sob os céus verdes
É preciso uma senha
Para entrar no templo
Se decifrar,
Adentrará os portais
Se não
Será engolido com gosto
Pelas bocas mais obscuras
Com palavras mais agudas
Do que um punhal...

Do Mundo de Beth

ELIZA / BETH

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