quinta-feira, 9 de agosto de 2007

JOCA FARIA ENTREVISTA LÉO MANDI







Entrevista Léo Mandi


Quem és tu ? realmente existe?

Sou um homem que sabe que a humanidade da qual faz parte já viveu
muitas Mortes e ele será mais uma. E por isso esse homem tem que viver de modo
a estar ligado com tudo. Possibilitando-se construir sem ser destruído pelo
tudo. Só posso provar que existo para mim mesmo. Pois só consigo causar
efeito em mim. Só eu sinto meu efeito. E eu existo.


Onde nasceu? onde morrerá?

Nasci em Piranguçu, Minas Gerais.
E não sei onde vou morrer,
Quero que seja num lugar onda exista
Muitos animais, mulheres e crianças.


Porque vive nesta dimensão?

Vivo para fazer e incentivar o amor
pela criação.


Musica, poesia, dá o pão de cada dia?

Dá! Dá pra viver. Dá pra entrar em contato com o melhor da raça
Humana e ganhar algum dinheiro com isso. Eu comeceiA ganhar meu dinheiro tocando no Bairro do D.Pedro I e dando aula na minha casa no Jardim Colonial. Misturava aula de violão com movimento pela revolução interior. Escrevia no rodapé da partitura alguma coisa de Castro Alves, Manuel Bandeira e outros. Os alunos vinham me falar de problemas com a família e de novos projetos.
Alunos do D.Pedro, do Campos dos Alemães, do Colonial, começavam imaginar viagens pelo país e a sonhar, e a ter uma vontade imensa de fazer e estudar arte.


Como foi sua viagem ao Rio de Janeiro?

É a quarta vez que vou ao Rio. Na primeira vez, não conhecia ninguém e resolvi partir para o desconhecido. Nas outras vezes eu fui a convite do Edu Planchêz, e foi muito bom ter convivido com ele. E, com o Planchêz, mostrei minha música no Leblon, em Copacabana e na Lapa.
Toquei uma música minha no Circo Voador e foi muito louco.
Foi uma viagem fabulosa. Eu pude experimentar a execução do meu trabalho em
outra geografia e em manifestações artísticas muito diferentes das que
acontecem aqui. Confirmei de modo prático que a arte que eu invento aqui pode ser usada em qualquer lugar. Foi uma viagem que confirmou a mágica que se realiza em quem lança a si mesmo na busca de mais diversidade e multiplicidade cultural. Conheci mais gente no Rio de Janeiro e conheci um pouco mais do Brasil.


O que não leu? o que vai ler? o que já leu?

.Livros sobre receita de amor e sobre receitas de religião.
.Nietzsche, Hermann Hesse, Tim leary,Ítalo Calvino, Caetano Veloso,Paulo Leminski, Arnaldo Antunes,Koellreutter e a Bíblia.
.A Águia e a Galinha, Leonardo Boff e Revistas sobre Heavy Metal e Punk.


O que acha do Pinheirinho? e do prefeito?

Cresci passando de ônibus em frente ao Pinheirinho e em trinta anos, nunca houve habitante ali.Era um lugar sem vida. E hoje tem vida. Repleto de seres humanos. Muita criança brincando e homens e mulheres sonhando com uma vida mais digna, mais especial, mais criativa e realizadora.
É um lugar que fortalece a zona sul. Com a presença das pessoas do pinheirinho, os comerciantes da zona sul começaram a lucrar mais e a feira do Colonial aos domingos, hoje tem uma coloração cultural muito mais rica.
Eu fiz um show no Pinheirinho e muita gente se ajuntou pra cantar comigo.Foi num sábado à noite. Durante a tarde já havia uma criançada linda perto do palco enquanto a gente montava o equipamento. Durante a noite ficou repleto de trabalhadores. Homens e mulheres que sonham e lutam.Todo mundo ligado. Compreendendo as idéias das minhas letras e pensando sobre minha postura.
Durante a noite o Pinheirinho tem uma das mais belas fotografias da cidade. As luzes das casas, dos bares e dos postes formam uma vila linda que ajunta a imagem das araucárias com o céu E com horizonte que se avista em Jacareí.
É um lugar que dá mais vida à zona sul.
.O prefeito é um homem trabalhador. Ta fazendo o trabalho dele. Ele não
impede ninguém de agir. A câmara de cultura é um projeto muito bom pra
cidade. E tem um monte de coisa boa nessa cidade relacionado à prefeitura.


Se fosse o Presidente da República, o que faria?

Criaria um ciclo de viagens, onde toda cidade trocaria seus habitantes por habitantes de outras cidades. De três em três meses, as cidades trocariam de nome e de habitantes. Nossa cidade poderia um dia ser chamada de Teresina e iríamos todos para a cidade de São José dos campos, lá no Piauí.


Fale dos seus trabalhos em cd.

Minha primeira participação em cd.Foi no cd-coletânea “Tudo que te agrade”, do Celebreiros. E, eu gosto muito daquele disco.
Em 2001 gravei um trabalho no estúdio da fundação cultural e distribuí para alguns amigos. Só que não lancei esse cd, através da imprensa. O resultado não me agradou totalmente. Então, em 2005, gravei um disco que se chama “Lucro Varrido”. Onde o jornal Vale Paraibano, fez uma entrevista comigo. E eu adoro esse disco. Falo dessa cidade e de mim imaginando uma velocidade incompreensível e cheia de música. O “Lucro Varrido” foi gravado em Jacareí.
Fizemos a capa toda em casa. O disco fala da Avenida Andrômeda, da Praça Afonso Pena, das Lojas Americanas e do cine Santana, numa viagem a meio metro acima do chão até pousar no Jardim Colonial. Num lugar que recebe todas as invenções e se chama AEROPARTO SONORO.
Gravei esse ano 4 músicas, com Diego Oliveira, percussionista de Jacareí.
Fiz uma música pro Chico Science que se chama, DALAI LAMA DO MANGUE.E uma música pra uma moradora de rua de São José dos Campos, DONA ARTÉRIA.
Está no site: WWW.OESTUDIAO.COM.BR


Consideraçoes finais.

Valeu pelo espaço. Eu acredito em micro-organizações, em pequenas atitudes que qualquer pessoa pode realizar para levantar a si mesmo e participar do que a humanidade inventa.Um abraço.

Mas tudo acaba mesmo?
Não. Existe o que é feito para acabar de vez, sumir, desaparecer.E existe o
que nunca acaba.

Um comentário:

Elizabeth disse...

Léo Mandi é um ser iluminado!!!
Uma entrevista maravilhosa!!!