quarta-feira, 22 de agosto de 2007

EXPLOSÃO ORGÂNICA


Atravessando o portal
Nas mãos, uma cruz paradoxal (o falo e o útero)
No bojo
Um cartão postal, do “louco”
Ingênua criatura, em fuga Bachiana
Atrás de si, o cão
A sua frente, o abissal
Nesse momento cinematográfico
As paixões dilaceram
Trituram
Maceram como ervas
Que cultivo num jardim
Suspenso em meu peito frágil
Mas passam
Como vento assoviando
Ou como brisa de fim de tarde
Que não tem por que
Busco o outro lado da catedral
Onde pouso meus joelhos ao chão
E busco, na melancolia
O sino
A sina
O sono
O balanço e o som
Evoco uma constelação
Onde pesa o coração e a pluma
E ao meu lado, o corvo
Devorando minhas entranhas
Um pouco por dia
E Dylan Thomas dá um sabor de morte
Aos meus ouvidos atrozes
Ávidos por música
Ao meu olhar sem sentido
Ávido por cores
A minha pele amarela
Ávida por maciez
Ao meu íntimo coerente
Ávido por transfiguração
Meu ser anacrônico
Ávido de luz
E o “louco” ali na minha frente
Um espectro atraente
Num embuste corriqueiro
Que se pode acostumar
Numa lucidez in delírio
O “louco” atravessa a estrada
Meu caminho predileto
Com sua beleza lunar
Perco a direção do sol
Por um instante, devaneio
Olho!!!
Aprecio!!!
E Dylan Thomas
Soa como um sino
Acompanho com o olhar
Aquela figura estranha
Singular
Bela
Sem rumo
Numa atitude silenciosa e inocente
Neutralizando o átomo.


Eliza / Beth

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