terça-feira, 21 de agosto de 2007

TEMPO OBTUSO


Tempo obtuso

A João Nicolau

Raios de sol na manhã de outono... caminho sem rumo pela cidade distante.


Joca Faria (*)


Vejo mapas de nossa mãe América e continuo a caminhar. Cães morrem em frente ao meu portão e nada podemos fazer, pois não somos donos nem da nossa própria vida.

Faço provas de concursos, navego contra a corrente no rio de nossa cidade. Não vejo mais a cachoeira do Potim, tudo se perde no tempo. Dezoito anos se passaram e tudo mudou, só não muda minha vontade de vencer.
Por estes dia ando lendo o livro Tempo Obtuso de João Nicolau, que é um presente para nossa sensibilidade. Feito de uma poesia sintética... Nunca havia lido, que alguém não gosta do próprio cheiro. Este amigo e agora poeta, me surpreendeu. Não havia ainda, nenhum trabalho dele, que fizesse brilhar os meus olhos. Talvez, o João devesse esquecer suas câmeras e ações e dedicar-se a palavra escrita. Chegar em imagens, ao requinte de seu livro de estréia, Tempo Obtuso.

João, longe de estar na querida classe média é um Dom Quixote sem Sancho Pança. Está sempre só, passa pelos grupos de nossa terra com seu cabelo grande e cara de pouca simpatia. Mas por trás deste ar arredio, São José dos Campos tem mais um poeta.
Este passa a ter o direito de se intitular, sem ganhar diplomas de nossa Irmandade Neo-Filosófica, se bem que merece um premio Lá Merda, por seus personagens e mau humores.
É um artista, num tempo em que ser artista, não é nada, como diz abda Almirez I. Se chegarmos num caixa bancário e bradarmos que somos artistas, seremos presos... E daí? Né, senhora Beth Souza... E DAÍ?

Parabéns, Nicolau, agora é um maldito completo, é mais um errante poeta, com um livro seu. embaixo do braço... Vá, siga sua sina maldita, de ser mais um sofredor, nestas terras cassiânicas. De bem aventuras e bombas de Deus, fazemos carros, aviões e brincamos de deus, simples poetas.
Há a tribo maldita, a qual pertencemos... Prefiro ser um maldito poeta a um político ladrão.
Nossos olhos brilham ao ler João Nicolau... Ele esta nu a andar por nossas avenidas, que se dispa de sua alma, agora estamos afoitos a esperar um novo livro. Quem sabe desta torta mente nasça um longa metragem.
Parabéns amigo-inimigo, sempre presente nas horas mais incertas. João, não vá ficar envaidecido não. Ser poeta é abrir os olhos diante das estrelas pulsantes. Será apenas mais um feiticeiro a buscar sentidos em latas de lixo.

Joca Faria

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