segunda-feira, 10 de setembro de 2007

BREVE HISTÓRIA DE ESTADAS E PARTIDAS


Sem comparações, mas elas acreditavam
mais do que ele poderia
Elas e ele olhando pela vidraça
Todos felizes por algum motivo


Aquelas garotas saíram à noite
procurando alguém
com quem namorar ou se casar, sei lá
qualquer coisa parecida com um amor


Ele estava apenas voltando para casa
e achava que precisava de um outro lugar
mas outro lugar, lhe disseram,
outro lugar é apenas a um passo daqui


Difícil é admitir que se ficou andando em círculos
embora sempre se aprenda algo ao caminhar
O homem que chegou não parece diferente daquele que saiu
e isso quase nunca significa que houve falhas

Restam-lhe os velhos sonhos
e algumas moedas no bolso
Talvez seja o suficiente.
Não há mesmo lugar para guardar tanta coisa.


Seus amigos ainda estão lá
Parecem não haver mudado
Acho que todo mundo esteve andando em círculos.
Isso mostra alguma coisa, seja lá o que for


Sempre haverá garotas saindo sem rumo
e homens voltando para casa
Todos tristes por algum motivo
tentando com medo, mas sempre tentando


Talvez aconteça como já nos disseram
talvez aquela sensação de já ter vivido isso antes
Ou seja, as respostas estão no passado
E agora, como é que voltamos atrás?


Sem sombra de dúvida, o lugar é aqui
quase passamos o “x” marcado no mapa
É tempo de parar; talvez o garoto sorrindo
o ajude a erguer as pedras da casa


Tudo recomeça do nada
Ao menos, assim disseram aos sobreviventes
O nada é sempre o melhor começo
quando não se sabe aonde ir


E olhe só, há alguém soltando fogos ao ar
cada coisa que se vê no interior
Aqueles homens, eles lhe disseram algo ao ouvido
Entretanto, ele parece querer guardar segredo.


Era uma vez duas crianças na varanda.

Era uma vez duas crianças na varanda.

Oswaldo Almeida Jr

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