segunda-feira, 3 de setembro de 2007

CHÁ DAS CINCO

Glórias ao homem de viola e chapéu
ele dança Moçambique
ele canta
ele pula
Ele é mesmo muito bom
A aristocracia bate palmas
permitem-lhe sua companhia,
gesto benevolente pelo qual ele deve
ser grato por todos os dias e noites de sua vida
e enquanto durem as canções que seu pai lhe ensinou.
Quem seria ele sem o manto da bondade?
Que seria dele sem o mármore dos palácios?
Seu nome adocica o vinho na boca das princesas e rainhas
Que é dele?
Agradeça, homem bom
Reconheça, homem bom
Elas fizeram sua vida
cuidarão de sua redoma de cristal
trazida de uma viagem à Europa
Ninguém o machucará – esta é a promessa selada no orvalho da montanha
Nunca deixe de agradecer
É só o que todos esperam
Venha, precisamos todos de um motivo
precisamos de assunto para o chá das cinco
Pintaremos suas unhas
lavaremos seu cabelo
e passearemos todos juntos.
No crepúsculo, prometemos
faremos sua mortalha na antiga tecelagem
e traremos um busto de mármore
como o dos castelos
para que todos adorem seus feitos
E ajoelhem-se frente aos bustos de seus benfeitores
de cuja ação dependeu sua vida.
Ninguém conhece sua história e isso tampouco importa
Olhe para a frente, homem bom
sempre e inquestionavelmente olhe para a frente
Pois oferecem-lhe céus com nuvens de algodão e pigmentos azuis importados

e para trás vêem-se apenas montanhas verdes com lama, casas de taipa e café sem coar.



Oswaldo Almeida Jr

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