domingo, 7 de outubro de 2007

LOBASSIANO, PARA O JOCA!











Lobassiano.

Nestes dias de escuridão a gente deveria procurar ver melhor e quem sabe até veria melhor.

Nas estantes muitos títulos, nem tantos leitores.

Nas ruas gentes sedentas de tudo o que o livro pode dar, de que uma página pode dar, de que um trovador pode ser.

Quem sabe só falta um corajoso, destemido ou heróico José ou Maria.

Josés... ou Marias, podem trazer juntos, ou sós, letras unidas com sentido quase, exatas ou não, medidas ou tão. Grandes ou pequenas mensagens escritas ou exclamadas, lidas, declamadas, tônicas, rotas, várias, certamente expressas.

Há outros josés e algumas marias de todos os tolos os mais perigosos. Misteriosos intelectuais que brandem uma caneta, arma nefasta que a cultura afasta de todos. Alguns tão loucamente se põem à mesa que sem se dar conta se afasta supremamente do que mais deveriam se aproximar.

Sonhei que um Lobato encontrou no céu um companheiro local um bom Cassiano.

Era Lobato um nacionalista quase exagerado, exageradamente sóbrio, exageradamente franco, exageradamente grande. Não serviu nem à direita e nem à esquerda. Para a direita era um perigo que deveria ficar vargamente preso e para a esquerda era, no fundo, a representação da oligarquia regional inválida, falida, perdida, morta como suas cidades, gentes, coisas e coisas e coisas... Ele era tão grande que os homens de nosso tempo tiveram que pequenizá-lo para entendê-lo, para que ele pudesse caber em seus conceitos.

O outro, o Cassiano, era um sonho, sensivelmente censurado, censor de si e de outros. Provavelmente vargamente censuraria Lobato.

Um gênio nacional fez sombra num gênio local ou um gênio local cresceu até onde sua luz pode cresce.

No nosso vale ser tão sertão globalizou a esperança. Nas épocas idas de nossos heróis regionais, insubstituíveis em si, mas certamente com a proposta da renovação atrasada, aqui estamos a esperar novos salvadores ou a perpetuar o comodismo de sobreviver à história. A história não pode e nem quer produzir a esterilização. De lá para cá o que cresceu? A cultura nascente nasceu? O que ficou? De verdade o que ficou? Por quê os resultados ainda estão por vir? O que devemos fazer para acordar a nós mesmos e a outros afeitos a doce aventura de cultuar o belo por mais raro que seja e mesmo que seja irreconhecível, mesmo que seja malfazejo, mesmo que seja indesejado, mesmo que seja incompreensível, mesmo que seja não...

Cultura tão, cultura não.

O morfo-psiquismo da falta de vontade mata no ninho a esperança de quem quer. Quando as lideranças lideram só seus interesses é difícil vingar talentos cassianos e menos ainda lobatos; só lobos.

O imobilismo é a imperdoável desculpa dos fracos. Quem não faz delega e quando assim não age corre o risco de eleger um elitista que só se quer a si.

A colheita, certamente, dos novos cérebros é tal que temos um silo para guardar um vazio que de tão nos assusta o vão.

Isso é como encher cemitério. Futuros poetas morrem sem ter tido a possibilidade de ter nascido.

Monteiro e Cassiano sem herdeiros, sem sucessores; até ai entendo, mas um desserviço que mutila, decerto não.


Paulo Vinheiro

Nenhum comentário: