sexta-feira, 30 de novembro de 2007

JOCA FARIA ENTREVISTA OSWALDO ALMEIDA JR.















Quem é Oswaldo, onde nascestes?

Uma pessoa que ainda acredita, ainda sonha, ainda procura. Alguém sem medo das contradições, talvez por ter nascido em São José dos Campos: entre a paçoca e o avião.

Como encara o momento cultural de nosso país?

Sem otimismo ou pessimismo. Acho, na verdade, que é no âmbito municipal que se dão as coisas. Antes de viver em um país, o indivíduo tem consciência de que vive em uma cidade, e é nela que as transformações têm de ocorrer. Por isso vemos tanta diferença entre os municípios – uns com altos índices de qualidade de vida, outros com índices tão baixos. O país não dá conta dessas diferenças. Nossa luta diária é mais embaixo...

É artista em que áreas, e como começou?

Tento escrever e tento compor, para banda e violão instrumental solo. É muito difícil continuar criando quando há tão poucas chances de se mostrar o que se faz, e creio que isso não seja um problema só meu nesta cidade. Mas comecei na verdade desenhando, desde bem pequeno, e a vida se encarregou de me mostrar que eu não tinha muito o que dizer nessa área. Outras áreas, como o teatro, em que me aventurei também, me deram até hoje grandes amizades.

A era digital leva a arte para onde?

Para lugar nenhum e para todos os lugares. Acontece como sempre foi. Quem tem o que dizer, diz mesmo que tenha o mínimo de recursos. Diz só com o corpo, se necessário. O meio não é o fim, e os recursos digitais são só mais um instrumento à nossa disposição.

Qual o papel de nossa geração em relação ao mundo atual?

Pensar em termos de toda uma geração é para mim uma coisa meio complicada. Na nossa geração há pessoas trabalhando em defesa do meio ambiente e há pessoas matando índios em ponto de ônibus. Generalizar é reduzir a questão. O papel do indivíduo, sim, este é essencial. Pensar no que “eu” posso fazer faz com que eu não transfira a responsabilidade para o outro. E esse grau de responsabilidade nós só vamos alcançar com uma melhor Educação. Leva tempo.

Política: para que serve?

A política muda o mundo. Pense em Gandhi. Mandela. Há um certo grau de inconformismo que o ser humano não pode perder. Mas não podemos confundir a política com os políticos. Entre estes, há os que só se candidatam porque sonham em ser os próximos a serem corrompidos.

São José dos Campos: o que é esta cidade?

São José é uma cidade grande, que pensa como pequena. Há um capital intelectual enorme, aqui, que nos diz que já estamos prontos para dar saltos maiores. Mas há coisas em arte sendo feitas como há 20 anos. Há pensamentos políticos e institucionais que se repetem há décadas. Isto não combina mais com a cidade, que deve assumir seu papel de uma cidade de ponta não apenas na área de tecnologia. Por debaixo da São José que conhecemos há uma outra, represada, pedindo para sair.

O que diz deste depoimento de nossa Beth Blait?

“oswaldo é aquele que surpreende.

surpreende porque é atemporal

porque canta sempre

porque é poeta

porque sabe elevar a amizade ao patamar

dos poucos sentimentos que valem a pena nutrir

porque sabe reverenciar

sabe saudar sem dor

porque sabe amar

incondicionalmente.”

Beth é, além de boa escritora, um doce de pessoa. Acho que ela viu em mim qualidades que nem mesmo eu descobri ainda. Mas prometo me esforçar para alcançá-las, a partir de agora!

Por que é difícil mobilizar o povo da cultura em nossa cidade?

A realidade nos diz que a situação não é assim tão grave, Joca. Já estamos em um ponto em que vemos, no mesmo dia, diversos eventos acontecendo simultaneamente. Todos com seu público. Você mesmo mantém um grupo que discute literatura de forma regular. Há muita coisa acontecendo na cidade, felizmente. Temos que descobrir o que é que as pessoas querem ver, ouvir. Muitas vezes, as pessoas só querem um lugar em que possam se encontrar. O grande objetivo das políticas culturais na cidade deveria ser favorecer o convívio entre as pessoas, porque é daí, dos encontros, que nascem as idéias.

Fale-nos de você.

Esta é a pergunta mais difícil. Quinze anos atrás a Josie leu meu mapa astral e me disse que eu sempre queria estar onde não estou. Tenho lutado contra isto, mas essa alteridade me persegue...

Livros, lançará quando?

Sou um poeta bissexto. Uma vantagem disto é que os textos têm um tempo maior de maturação. Já não tenho tanta ansiedade de que eles venham a público, até porque no começo publiquei muita besteira. Confesso que os recentes movimentos literários, o seu incluído, têm me motivado a reunir os textos em um livro. Estou me animando...

Considerações finais?

Só uma palavra de apoio às suas inquietações. Tenho acompanhado suas discussões pela Internet, e acredito mesmo que qualquer discussão é melhor que nenhuma discussão. Siga em frente!

Email: oswaldofajr@hotmail.com

Um comentário:

Anônimo disse...

olá Joca Faria, preciso entrar em contato com Oswaldo Almeida Jr. pois tocaremos pela primeira vez uma musica minha com letra dele. Agradeço tua gentileza em me passar. Ou, se preferir, favor passe meus contatos pra ele : rogerio@bottermaio.com tels 11-84962709 11-38460109 skype: rogebm .
Muito obrigado!
Rogerio