quinta-feira, 10 de julho de 2008

O que é ser jovem

Como podemos definir um jovem?

A partir do momento em que uma criança pode pegar ônibus sozinha, deixa de ser criança. Esta idade varia entre 10 e 13 anos.

Portanto podemos considerar como o início da juventude o momento em que o ser humano tem liberdade para andar na rua sem a companhia de um adulto.

E quando acaba a juventude?

É muito mais difícil definir o momento do ocaso da juventude do que sua aurora. Pois em nossa civilização ocidental a juventude é muito mais considerada como um “estado de espírito” do que estado biológico ou muito menos estado cívico.

De acordo com as nossas leis, atingimos a maioridade aos 18 anos. Esta maioridade em pouco tempo poderá cair para 16 anos. Assim como antigamente o maior de idade tinha mais de 21 anos e passou a ter 18. Logo, os maiores serão simplesmente os maiores de 16 anos.

Isto pode parecer um avanço, mas ao mesmo tempo em que é uma volta ao passado, se considerarmos que até o início do século 20, muitas meninas de 13 anos já estavam casadas e era inconcebível que um rapaz com mais de 10 anos ainda não tivesse começado a trabalhar, por outro lado a diminuição da maioridade contrapõe-se a um novo costume em nossa sociedade, que é o fato de que os jovens estão saindo de casa cada vez mais tarde.

É muito comum ver rapazes e moças com seus 25 anos que não têm planos de deixar o conforto da casa dos pais, ao passo que é cada vez mais comum encontrar adultos com 35 anos que nunca se casaram nem têm filhos.

Diante disto, concluímos que não existe um momento padrão em que se estabelece o final da juventude.

O máximo que podemos perceber é que certos eventos comprometem a juventude, sem, contudo, exterminá-la de vez. Trabalho, casamento e filhos podem, de certa maneira, corroer certos hábitos ou deveres juvenis, como os estudos e o lazer, mas ainda assim o trabalho, casamento e filhos não eliminam completamente o tal “espírito juvenil” de que tanto se fala.

Podemos, no entanto, tentar compreender algumas características comuns a todos os jovens. Sem considerar o “espírito juvenil” e sua necessidade de aventuras, paixões e lazer, é fácil perceber um elemento da personalidade jovem, que talvez seja o elemento mais notório entre todos que possam classificar uma pessoa como “jovem”: a dificuldade em definir o seu rumo pessoal e profissional.

A dúvida sobre o próprio ser é a marca registrada de alguém jovem.

A expressão “o que devo ser?” não refere-se apenas ao aspecto profissional, mas também a sua personalidade, anseios e desejos.

Por isto, a fase jovem é a fase da experiência. E todo jovem deve ter o direito de experimentar, pois a prática vai ajudá-lo a definir o seu próprio ser. Experimentando, sentirá o que lhe dá e não dá satisfação.

No entanto, nossa sociedade não oferece muitas oportunidades ao jovem para experimentar.

Tomemos como exemplo a faculdade.

Hoje em dia a faculdade gera uma propaganda enganosa. A publicidade do ensino superior quer nos fazer acreditar que o diploma universitário é garantia de projeção profissional, quando os números sócio-econômicos demonstram o contrário. Percentualmente, há mais desempregados entre aqueles com formação superior do que entre aqueles com escolaridade inferior.

A faculdade não deveria ser apresentada como um trampolim profissional, mas como a fase da experimentação profissional.

Não deveriam existir faculdades em que os candidatos e alunos tivessem que definir tão precocemente a especialidade que seguirão.

Os primeiros anos das faculdades deveriam ser genéricos, apresentando toda sorte de profissões e no decorrer dos cursos, cada aluno inclinaria-se naturalmente para esta ou aquela especialidade.

O próprio modelo pedagógico, em vigor há milhares de anos, simbolizado pela fórmula “professor autoritário” ou “professor omisso” tentando ensinar jovens entediados num local claustrofóbico, mal cheiroso e deprimente [sala de aula], já se revelou há muitas décadas como ineficaz.

Este sistema pedagógico serve muito mais para peneirar os alunos capazes de sobreviver a esta prática torturante do que inserir o maior número possível de estudantes junto ao conhecimento.

Muita coisa deve mudar na vida cotidiana dos jovens. Mas só o que vai garantir que as autoridades públicas e privadas ouçam os jovens e considerem suas reivindicações será a união destes jovens por uma luta conjunta.

Mas essa luta deve ser pensada, analisada, debatida, até que se chegue a um ou mais objetivos comuns.