quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Um poema de Andre AL. Braga

Tietê





Já não rio mais...

Porque em teu curso correm negras as minhas sobras

E em teu leito sereias mudas e perdidas

Desencantam famintos estivadores de passagem

Que sonham com suas ilhas



Marginais roubaram tuas plumas e deixaram-te com a pior fantasia



Veia exposta que sangra restos

Um cadáver decúbito eternamente em decomposição...

Tua beira escura e densa produz um Narciso inverso

Que se irrita por saber que os reflexos que lhe mostra

São as ruínas de seus desejos



É difícil encarar teus olhos verdes-fossa

Que tristes me suplicam pureza...

Eu, Deus eterno e onipotente núcleo do tempo

A ti ignoro, pois sei que fiz de você minha imagem e semelhança







Meu livro - Poemas Errados http://poemaserrados.blogspot.com






André Al. Braga
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Sobre o meu livro, acesse:
Poemas errados (dias intranquilos)
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Minha entrevista na CBJE
http://www.camarabrasileira.com/entrevista434.htm



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Um comentário:

@SecretoPrazer disse...

Parabéns, André! E pensar que o Rio Tietê antes de chegar a São Paulo, mais próximo à nascente, é tão lindo...