terça-feira, 1 de março de 2016

Escrito de Alex Sandro Carrari

27 de fevereiro às 15:43 ·

Daniela, é seu nome. Idade, 22. Profissão, prostituta. Local de trabalho, uma praça.
Seu material de trabalho, o sagrado corpo.
Seu diferencial, o preço e possíveis caprichos consentidos também por um valor.
Em minutos de conversa oferece sua mão de obra sempre que vê uma abertura.
Nos olhos, um brilho extinto por tanto uso que mal fazem de sua alma.
Nos gestos, seu corpo fala de um desejo inconsciente de tocar e ser tocada com carinho.
Nas palavras uma secura por tanto tempo sem dizer "amor".

Quando vê que a conversa não lhe renderá os cem reais de seu esforço, e que apenas estou querendo saber quem é Daniela, ela segue a regra e começa a desviar a atenção para potenciais clientes que passam desonrando-a com o olhar.
Para um bom entendedor uma displicência é letra.
Me despeço, digo para que se cuide, ela pergunta meu nome e minha idade.
Alex, 41. Ela sorri arrumando o curto cabelo, dá mais um trago no cigarro e diz que eu poderia ser seu pai.
Saio procurando um lugar onde possa chorar por ela, chorar por mim, chorar por nós, chorar por Deus.
Daniela, um mundo de amor se perdendo no vácuo da indiferença, se acumulando de paixões voláteis sob gestos brutos de qualquer desconhecido.
Daniela, uma vida, um universo, que ninguém se interessa em conhecer, pois tem um preço incalculável que homem algum tem condições de pagar.

Foto  A Praça Afonso Pena _ Centro _ SJC _ vista da porta da Igreja de São Benedito !!! de Osmar Ferreira

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