segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Vanessa Alves

Há um tempo, por falta do que fazer, resolvi postar a minha opinião num site que adora propagar catarse midiática e sensacionalismo: o Catraca Livre. A "matéria" abordava a nova moda de mulheres que estão tirando as famosas "nudes selfies", só que agora, com o dedinho na frente para esconder o bico do mamilo.
Eu, como muitos acompanham por aqui, sou contra qualquer tipo de tabu, machismo, moralismo, misoginia e seus derivados, todos pertencentes aos acéfalos recalcados e que têm os impulsos reprimidos, sobretudo por crenças místicas e religiosas.
Meu comentário foi simples, ousado e direto: eu tiro sem dedo mesmo. Corpo não é tabu. Em pouco tempo surgiram vários comentários de mulheres me chamando de puta, vadia e por ai segue o universo da linguagem simplória e seus derivados - me espanta a falta de criatividade para ofender.
Porém, o que mais me chocou nisso tudo é ver, que, abaixo do meu comentário, havia um sujeito que tinha postado uma foto dos seus mamilos de "super homem" com o tal dedinho na frente. Não preciso escrever aqui que o tal sujeito não foi ofendido, pelo contrário, fora encorajado.
O corpo, meus caros amigos, é matéria indizível e deve ser cultuado. Corpo é arte. Corpo é manifestação daquilo que não foi dito, daquilo que ficou retido no inconsciente. Corpo goza, chora, recua, dança, vive, morre. Corpo é mamilo, vagina, bunda, boca, poros, língua, dentes, cabelos, bactérias, órgãos, sangue, suor, saliva; é matéria do que somos feitos.
Corpo faz parte da história da humanidade. E pasmem, vocês também têm um corpo.
E estar e ser um corpo, ter consciência dele é liberdade. A guerra contra ele é o início de muitas doenças.
Não há nada mais escandaloso do que um corpo que habita a fome. Não há nada mais escandaloso do que corpos gritante- e-tristonhos-e-doentes que compactuam com a corrupção neste País.
Na foto (se o FACEBOOK NÃO CENSURAR), para celebrar o corpo, compartilho o gênio da fotografia de moda e que explorou nossa matéria de forma belíssima, Hemult Newton.
Um beijo, no Corpo.

Quadro da Nua Estrela.